434 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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as suas disposições físicas e as suas disposições morais. E então qual
teria sido a origem delas? Donde lhes teriam vindo? Por isso, comete-se
um grande erro, que é ao mesmo tempo uma grande injustiça, quando
se assemelham a algumas alucinadas dos hospitais. As alucinações destas
e as visões daquelas têm carateres tão diferentes que evidentemente
não se está em presença do mesmo fenómeno. Para obter as alucinadas
dos hospitais é necessário escolher naturezas em que os nervos sejam
particularmente excitáveis. Cumpre notar, de passagem, que a infância
mal se presta as alucinações. Não é nessa época da vida que elas se
produzem facilmente. Escolhem-se as mulheres ou as raparigas mais
nervosas dum hospital de doenças nervosas. São precisas verdadeiras
doentes, cérebros desarranjados, criaturas desequilibradas. E ainda não
é tudo; desenvolvem-se cuidadosamente, por meio de atos repetidos,
essas disposições doentias. É só então que essas infelizes chegam a ter
alucinações duma maneira muito sensível. O que há na verdade de comum
entre essas pobres doentes, escolhidas entre mil e cuja doença recebera
de propósito uma espécie de cultura intensiva, e os pequenos videntes
da serra de Aire, simples filhos da natureza, de nervos calmos, de
imaginação regrada e tranquila como os seus nervos? Para sofrer
alucinações, é preciso estar predisposto duma certa maneira. Ora os
videntes da Fátima não tinham essa predisposição necessária, nem no
físico, nem no moral. Estude-se agora a alucinação nos carateres
particulares que ela apresenta e estude-se sob três pontos [8] de vista
distintos: antes das visões, no momento em que se verificam, e depois
delas.
Antes das visões
A treze de maio, dia da primeira aparição, Lúcia e Jacinta, as duas
crianças que dizem ter ouvido as palavras pronunciadas pela Aparição,
contaram que o ente celeste que se lhes manifestara lhes tinha pedido
que voltassem durante seis meses, de mês a mês. As crianças mostravam
assim que se julgavam destinadas a gozar das suas visões ainda cinco
vezes. Ora as alucinadas não fazem profecias sobre o que devem ver e
ouvir, sobretudo profecias que se realizam: nunca se constatou que
tivessem anunciado quantas crises alucinatórias haviam de experimentar.
A sua persuasão absoluta, se tivessem alguma sobre este ponto, e que
veriam sempre o que veem e que não podem deixar de ver: nenhuma
dúvida tem entrada na sua alma, porque é o seu próprio organismo que