431
o o !" #o $%o#o&o '()%" " & #o(*%+,%
Lourdes” von Hochschulprofessor Dr. Ludwig Fischer, e “As grandes
maravilhas de Fátima”, pelo Visconde de Montelo. Se se provar que as
crianças eram sinceras e que não [5v] se enganaram, há o dever moral
de admitir o seu testemunho e de crer na realidade sobrenatural das
aparições. 1° Não se pode duvidar da sinceridade das crianças. Como
podiam desempenhar uma comédia três crianças simples e ignorantes,
uma de dez anos de idade, outra de nove e outra de seis5? Como podiam
manter as suas afirmações, apesar das ameaças que lhes faziam, das
perseguições de que foram alvo, e da prisão que sofreram? Nenhuma
das crianças sabia ler na ocasião em que se deram os acontecimentos e
a sua inteligência não era superior à das outras crianças da sua idade.
Evidentemente não eram cabeças onde pudesse germinar o gigantesco
desígnio de mistificar toda a gente.
De resto, que fim podiam ter em vista com uma mentira tão
inverosímil? Não pretenderam aproveitar-se das suas visões, nem mesmo
para satisfazer a sua vaidade. Elas não falavam nesse assunto senão
quando eram interrogadas. E até um facto constatado por muitas pessoas
que elas fugiam e se escondiam não raras vezes, quando eram procuradas
para serem submetidas a interrogatórios.
Se se prestavam a isso, e então faziam-no de boa vontade e com a
maior candura e singeleza, era unicamente para obedecerem a seus pais.
O desinteresse que manifestavam e que aliás era próprio de crianças da
sua idade excluía absolutamente toda a suspeita de intenções gananciosas.
Suas famílias, que são abastadas, não permitiriam tão pouco que elas
recebessem dádivas valiosas. A treze de setembro, depois da aparição,
um cavalheiro espanhol, que estava presente, ofereceu a Lúcia uma
pequena medalha de metal branco de pouco valor que ela a princípio
não queria aceitar, supondo que era uma moeda de prata. Portanto,
nem o amor próprio, nem a ambição, podiam ter induzido as crianças a
procurar o papel que desempenharam, ainda quando, o que era
impossível, semelhante [6] ideia tivesse germinado nos seus pobres
cérebros, inquestionavelmente incultos e acanhados. Inúmeras pessoas,
de todas as classes e condições sociais, interrogaram as crianças.
Nenhuma, depois de as ouvir, ficou com a mais leve dúvida acerca da
sua sinceridade. A indiferença com que falavam, o encanto natural da
sua narrativa, a simplicidade com que respondiam e a ingenuidade das
5 Cf. nota 1.
Doc. 120 1930-04-13