430 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
d d .do Joaquim Vieira da Rosa, era convidado pelo
Senhor D. João a proceder a um inquérito semelhante. Em vinte e oito
de abril de mil novecentos e dezanove, o reverendo pároco enviou ao
Senhor Governador do Patriarcado um ofício que acompanhava o
relatório de dezoito folhas, e em que dava conta do grande concurso de
peregrinos ao local das aparições e da continuação da crença e devoção
dos fiéis. No dia onze de novembro de mil novecentos e dezassete, já o
venerando Vigário da Vara de Porto de Mós se havia desempenhado
do encargo que lhe confiara o venerando Prelado, enviando os
depoimentos de várias testemunhas fidedignas, acompa-[5]nhados dum
ofício. Como consta do relatório paroquial, as aparições eram seis, todas
no dia treze de cada mês, desde maio a outubro, exceto em agosto, em
que se realizou alguns dias depois, segundo parece, no dia dezasseis3,
por terem sido presos os videntes no dia treze, pela autoridade
administrativa. Reproduz-se aqui, em resumo, o relato das aparições.
A Senhora diz que o seu lugar é o Céu, promete a felicidade eterna
às três crianças, comunica-lhes um segredo que a ninguém poderão
revelar, ensina-lhes uma pequena oração4, recomenda a Lúcia que
aprendam a ler, manda que todos rezem o terço, para que a guerra
acabe, anuncia o aparecimento de Nosso Senhor, de S. José com o
Menino Jesus, de Nossa Senhora sob as invocações do Rosário, do
Carmo e das Dores, recomenda de novo a recitação do terço, declara
que a guerra acabava brevemente e no último dia afirma que Nosso
Senhor está muito irritado com os pecados dos homens, suplica que
não O ofendam mais, insiste mais uma vez em que rezem o terço, declara
que ela é a Senhora do Rosário e ordena que se edifique ali uma capela
em sua honra. O depoimento da Jacinta confirma, dum modo geral, o
depoimento da Lúcia, assim como o do Francisco, que contudo só via a
Senhora, não ouvindo nada do que ela dizia a sua prima.
Sinceridade dos videntes e verdade das suas
declarações
Consideram-se reproduzidos aqui o relatório do inquérito paroquial
os documentos n° 7, 8, 9 e 10, isto é, a coleção da “Voz da Fátima”, e
3 Segundo declaração do pároco de Fátima, no interrogatório de 21 de agosto de
1917 e no Processo Paroquial, concluído a 28 de abril de 1919, a aparição de foi
no dia 19 de agosto, domingo, nos Valinhos.
4 Jaculatória: Ó Meu Jesus perdoai-nos...