418 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
Doc. 117
1930-03-05, Leiria
Carta de D. José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria, para o Dr. Luís Fischer,
a enviar o trabalho sobre as perseguições a Fátima e a responder a um conjunto de
perguntas sobre as aparições.
Publ.: DCF, V-4 - Doc. 1332
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Rev.mo Senhor
Recebi a carta de V. Rev.cia de 22 de fevereiro. Muito obrigado.
Em nome da Santíssima Virgem agradeço a V. Rv.cia todos os
trabalhos que tem tido e a propaganda que tem feito da glória da Mãe
do Céu.
A história das perseguições a Fátima vão com esta carta. Vou
responder às perguntas que me faz.
1) A Lúcia, hoje religiosa é a única vidente viva, aludiu a um segredo
que a Santíssima Virgem lhe declarou. Não me disse, nem eu insisti.
2) A água não tem relação com as Aparições. Como ali não havia
água, era preciso fazer obras, mandei abrir um depósito para recolher a
água das chuvas. A 1m de profundidade apareceu a água que nunca
1 Nasceu em Munique, Alemanha, no dia 30 de maio de 1890. Sacerdote, foi
professor de História da Igreja e de Patrologia na Universidade de Bamberg, na
Alemanha. Tomou conhecimento dos acontecimentos de Fátima, através de um
artigo de “L’Osservatore Romano” de 3 de junho de 1928. Esteve presente, em
Fátima, na peregrinação de 12 e 13 de maio de 1929. Desde aí escreveu artigos
e proferiu conferências sobre Fátima. Em 13 de outubro de mesmo ano fundou,
em Munique, o grupo “13 de Munique” que se dispôs a fazer, todos os dias 13,
uma peregrinação penitencial ao Santuáriode Maria Eich. Em 1931, fundou a
“Fatima-Verlag”, editora responsável pela publicação de alguns dos seus livros
e da revista “Bote von Fatima” (Mensageiro de Fátima). Em 1929, 1932 e 1935
esteve em Fátima, onde procedeu a rigorosas investigações sobre o assunto e,
em resultado delas, escreveu diversas obras sobre Fátima: “Fátima, a Lourdes
Portuguesa” (1929), “Fátima à luz da autoridade eclesiástica” (1931); “Jacinta, a
florinha de Fátima” (1934); “A mensagem de Nossa Senhora de Fátima” (1937).
Em 1935, assistiu à trasladação dos restos mortais de Jacinta Marto, para o
cemitério de Fátima. Visitou Fátima, pela última vez, no Verão de 1954, vindo a
falecer, em Bamberg, no dia 3 de janeiro de 1957.