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invocação de Santo Cristo dos Milagres, espalhou-se não só pelo
Arquipélago como por grande parte do mundo católico.
No ano de 1850, alguns portugueses da Ilha Terceira, que iam
frequentemente ao Brasil fazer carregamentos diversos, impulsionados
pelos mesmos sentimentos de gratidão dos seus conterrâneos,
deliberaram erigir à beira-mar, uma pequena capela e aí colocaram uma
cópia da imagem do “Ecce Homo”, em tudo igual à da sua pátria distante.
Esta capelinha foi custeada pelos pescadores e marujos a que se
associaram os moradores do lugar. E nesta capela tão simples, que as
ondas do mar vinham beijar, aos domingos e dias festivos se reuniam os
devotos do Senhor Santo Cristo, solicitando graças e favores para suas
famílias. Os negociantes também ali acorriam, pedindo para serem bem
sucedidos nas suas empresas.
Bem hajam esses homens do mar que, fortes na sua crença, gratos à
proteção divina, criaram nos seus corações bons e generosos o culto do
Senhor Santo Cristo dos Milagres e assim introduziram esta devoção
no Brasil. De tal modo se generalizou, que a pequena capela já não
comportava o elevado número de fiéis.
Em fins de dezembro de 1857 era constituída a irmandade do Senhor
Santo Cristo dos Milagres, tendo o seu compromisso sido aproveitado
pelo bispo de então, D. Pedro Maria de Lacerda, e confirmado pela
carta imperial de 15 de janeiro de 1858.
Em 29 de julho de 1873, com toda a pompa e solenidade, a
Irmandade deu início à construção da nova capela, que é hoje a atual
igreja de Santo Cristo, nos mesmos terrenos em que foi edificada a
primeira capelinha. A primeira pedra foi benzida pelo bispo-conde,
capelão-mor, com assistência dos imperadores. A sua construção
terminou no ano de 1879, tendo sido benzida em 13 de julho, desse
mesmo ano, pelo padre José Herculano da Costa Brito.
Em 15 de agosto de 1901 foi a capela do Senhor Santo Cristo elevada
à categoria de igreja matriz, por decreto do sr. D. Joaquim Arcoverde,
atual cardeal, então arcebispo Metropolitano de S. Sebastião do Rio de
Janeiro, sendo para esse fim cedida pela Irmandade.
E aqui têm os leitores um resumo do que ouvi na manhã de 26 de
dezembro, na Igreja do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Em todo o
Brasil estamos quase que como em Portugal.
Todavia pareceu-me que dentro daquela igreja, fundada por
portugueses, diante da imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima,
a diferença era ainda muito menor. M. C.
Doc. 116 1930-01-08