410 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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daqui a foram ver e admirar. Constando isto logo, o administrador de
Torres Novas mandou o Gilberto comparecer na administração para
lhe proibir de sair com a imagem, e a casa dele foi cercada de tropa
para a imagem não poder saír. Mas saiu! porque o pai do Gilberto meteu
no pátio, numa carreta, o caixotim com a imagem, cobriu-a com utensílios
de lavoura e outras coisas agrícolas, passou pelo meio da tropa, fingindo
que ia para a sua fazenda, sem ninguém dar pela imagem na carreta. Em
Fátima meteu a imagem na igreja, na sacristia, onde é benta. Nisto chega
ou já tinha chegado cavalaria, infantaria, guarda republicana, que vedam
as passagens para a Cova de Iria. Ribombam os trovões e chove a bom
chover. O povo reprezado pela tropa, com a chuva, enche a Igreja e as
casas particulares. Tentam alguns passar , há correrias, há espadeiradas
até dentro da igreja e dentro das casas particulares, sobre os que lá se
refugiam. Abranda um pouco a chuva. Neste comenos o Gilberto distribui
pela tropa e povo milhares de estampas com os dados das aparições.
Nisto vem nova trovoada. Os militares todos molhados ouvem a voz do
comando que grita: Embora! Meia volta à direita!! Marchar! E é ver
como os militares vão em marcha e com sofreguidão e interesse, vão
lendo o relato das estampas! E, sem o dique das tropas, a multidão se
precipita, em massa, na Cova da Iria, onde um outro grosso de tropas
tinha feito correrias sobre os que tinham ido por caminhos transversais e
atalhos – mas que a chuva e a lama já os tinham também obrigado a
retirar!
O diabo fica derrotado, em toda a linha!
Vem por lã e fica tosquiado!
Capela na Cova de Iria
Sobre a construção da capelinha – sobre as bombas que destruiram
a capelinha sobre as peripécias do automóvel, das bombas – sobre a
inquinação da água do primeiro nascente. Tudo isso e outras perseguições
são coisas que o Dr. Carlos e a Voz da Fátima já têm relatado. Mais
tropas lá vieram mas não me consta que perseguissem o povo.
Por falta de tempo desculpe não passar isto a limpo nem corrigir
quaisquer erros ortográficos.
Todo seu muito atº, v.or e m.to ob.go
S. C., Torres Novas 18 de dezembro de 1929.
P. José António da Silva.