406 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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negar nada durante a sua Novena!
Quantos pecadores teria salvado se me tivesse mortificado? E a maior
perfeição? Nosso Senhor como estará agora descontente? O jornal foi
imediatamente para o fogão, mas o demónio tinha conseguido já tirar-
-me a paz mas ainda não estava contente. Aproxima-se de mim uma
Irmã e diz-me: ai que horror fui-me confessar e no fim o Senhor Padre
não me faz esta pergunta? (não digo o que foi porque acho que não
devo). Que horror: a Irmã não deve dizer isso a ninguém. A Irmã
reconheceu que fez mal e pediu-me imediatamente desculpa e segredo;
assim lho prometi, no entanto a revolta interior, a repugnância que já
sentia aumentou a tal ponto que disse comigo mesma: nunca mais voltarei
a confessar-me; depois começo a pensar se Nosso Senhor gostará deste
meu procedimento? Com que tristeza olhará Nosso Senhor hoje para
mim? Quantas faltas e não sei se pecados cometi neste dia! É já noite,
não há tempo para me ir confessar, amanhã não posso assim ir à Sagrada
Comunhão, vou ficar sem Ela mas que será de mim sem Nosso Senhor
e logo na Novena da Imaculada Conceição; resolvo fazer o seguinte: de
manhã, assim que terminar a missa da Comunidade, aproximo-me da
Madre Superiora e peço para ir fora a confessar-me e fazer a Sagrada
Comunhão; ao chegar à Igreja, aproximei-me do primeiro confessionário
que encontrei e confesso era tal a minha aflição que, ao chegar a casa,
não soube dizer à Rv.ma Madre Superiora se me confessei a um sacerdote
espanhol, se português. Só sabia dizer que Nosso Senhor me tinha feito
a graça dele me compreender muito bem a mim e eu a ele e de me
tranquilizar.
Quero dizer-vos que a pergunta acima mencionada para um espírito
bem disposto e que não fosse mesquinho como o meu não seria grande
coisa.
Aproveito desde já para apresentar a V. Rv.cia os meus respeitosos e
sinceros cumprimentos de boas-festas e as preces ardentes que farei
junto do Divino Infante para que conceda a V. Rv.cia e a toda essa casa
uma cópia abundante de graças e bênçãos do Céu.
Peço humildemente se digne abençoar a mais indigna serva de V.
Rv.cia.
Maria Lúcia das Dores
r. de S.D.