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1929-12-12, Roma
Carta de João Pereira Venâncio para D. José Alves Correia da Silva, Bispo de
Leiria, a acusar a receção da “Revue du Rosaire” e do “Jornal de Macau” que D.
José lhe havia enviado. Conta como foi a chegada e a bênção da imagem de Nossa
Senhora de Fátima, por Pio XI. Informa ainda, que será ordenado presbítero no dia
21 de dezembro.
Publ.: DCF, V-3 - Doc. 1146
mo Rev.mo Senhor Bispo
Agradeço muito reconhecido o número único da Revue du Rosaire e
o Jornal de Macau que V. Exª. Rev.ma quis ter a bondade de me mandar.
Aos restantes dei o destino que V. Exª. Rev.ma se dignou indicar. O
jornal de Macau – que tão bem mostra quanto do amor e devoção
Nossa Senhora de Fátima sabe grangear em toda a parte – foi lido no
nosso refeitório. Os números da “Revue” dos leirienses já andam a
circular. Está muito bem feito e francês toda a gente percebe.
Nossa Senhora de Fátima já está no Colégio. Chegou a Roma no
dia 13 do mês passado e ao Colégio na véspera da Apresentação de
Nossa Senhora. É uma beleza! Todos quantos a viram não se fartavam
de a admirar. É tão delicada, tão perfeita e tão cheia de vida que parece
estar a falar com quem a contempla! O Senhor Thedim disse que queria
fazer obra tão perfeita, quanto o podiam fazer mãos humanas ajudadas
pela graça. Parece que assim foi. Até o Santo Padre – quando a benzeu,
o que se dignou fazer no dia 6 deste mês – se deteve a admirá-la. Como
ninguém do Colégio pôde assistir, bem a nosso pesar, ainda não sabemos
o que é que o Santo Padre terá dito; mas logo que Mons. Reitor tenha
ensejo de falar com os Monsenhores que acompanhavam Sua Santidade,
já o poderemos ficar a saber. Os empregados do Vaticano não se
fartaram de a admirar e elogiar o artista, sobretudo quando lhes
observámos que era toda de madeira, o que, à primeira vista, ninguém
suspeitava, tão finamente ela é trabalhada. O manto, sobretudo, tão
naturalmente caído e tão fino que quase não excede a espessura dum
manto natural; as mãos tão delicadas e de dedos tão bem torneados e
distintos e o rosto que é todo celeste.
Não sofreu nada na viagem de Portugal para cá, nem nas que fez
aqui, pois foi tratada com todo o carinho que merecia.
Doc. 111 1929-12-12