38 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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acalmação dos ânimos excitados pelo diabólico boato – aliás teria esta
freguesia hoje a lamentar a morte de seu pároco como cúmplice.
Mas desta vez ainda a cilada do demónio não logrou ferir de morte
devido certamente à Virgem Mãe.
A autoridade, depois do longo interrogatório das criancinhas em suas
casas, as fez conduzir a título de informações para minha casa; diz, para
elas lhe descobrirem um segredo que ainda lhe não haviam revelado –
donde em tempo que julgou oportuno as mandou subir para o carro e,
dizendo aos pais e circunstantes que as levava ao local das Aparições,
parte à desfilada para Vila Nova de Ourém.
Escolheu a minha casa com que fins?
Para se furtar às vias que seu ato iria provocar?
Para que o povo se amotinasse, como amotinou contra mim como
cúmplice? Para... outro fim?
Não sei. – Mas só o que sei, é que declino toda a responsabilidade
que cabe a tal modo de proceder, e, que Deus pode sempre velar pelos
seus.
Às obras de Deus ninguém pode pôr entraves.
Não foram necessárias, dizem milhares de testemunhas, as crianças
para a Rainha dos Anjos revelar o seu poder, vão elas mesmo atestar os
factos extraordinários e os fenómenos de que deram fé e que mais
arreigaram sua crença.
Agora não são as 3 crianças de 9 a 11 anos, são os milhares de
pessoas de todas as idades, classes e condições, vindas dos diferentes
pontos do país.
Se a minha ausência como pároco no local se faz sentir aos crentes,
não menos se faria sentir a minha presença aos descrentes, em desprimor
da verdade dos factos.
A Virgem Mãe não precisa da presença do pároco para mostrar a
sua bondade, e é necessário que os inimigos da religião não possam
deslustrar o brilho de Sua Benevolência atribuíndo a crença dos povos
à presença ou conselho do pároco porque a fé é um dom de Deus e não
dos padres: – eis o verdadeiro motivo da minha ausência e aparente
indiferença em tão sublime e maravilhoso assunto: – eis porque não tenho
dado meu claro parecer às mil interrogações e cartas que se me têm
dirigido.
O inimigo não dorme. Ruge como o Leão.
Não foram os Apóstolos os primeiros a anunciar a Ressurreição do
Filho da Virgem.