394 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
N
angélica, o recolhimento todo endeusado, a correspondência à graça e
progresso na virtude sem hesitações, sem intermitências, sem
desfalecimento da Cheia de Graça.
Na receção: lembrai a fé que a tornou bemaventurada, a humildade
que do seio do Padre ao seu atraiu o Verbo, o pleno abandono, a vontade
de Deus, a virgindade miraculosa, virtudes com que o Espírito Santo
fabricou e mobilou dignamente aquela morada do Filho de Deus.
No exercício: uma união com Deus contínua que a torna assento da
Sabedoria e sacrário do Espírito Santo, um zelo incansável que a faz
rainha dos Apóstolos, um espírito de sacrifício que vai até ao Calvário e
a coroa rainha dos Mártires, uma caridade divina e humana sob ambos
os respeitos única, que a constitui rainha dos santos e anjos todos: ah!
se o padre todos os dias se revisse neste espelho, se compusesse por
este modelo, copiasse este exemplar!
E se o ideal mais que sublime, é divino, se o modelo é capaz de
desalentar e desesperar os mais generosos, quem assistirá o seminarista
na sua formação, quem lhe infundirá, dia a dia, novo alento, quem o
levará pela mão nas ascensões árduas e difíceis aos vértices quase
inacessíveis dos Alpes da Santidade? Quem, senão a Rainha do Clero,
“a padroeira nata da santidade, da saúde, do saber, como a invoca
aquele anjo de inocência por Bento XV, canonizado com o título de
“modelo dos seminaristas”?
Ela assitiu Jesus quando no remanso do pequenino seminário de
Nazaré, sob o olhar materno crescia em sabedoria, idade e graça, diante
de Deus e dos homens: Ela, mais ainda e sobretudo, porque é este o
fundamento ontológico de ser Maria a Mãe, a protetora, a formadora, a
artista nata do sacerdócio. Ela forneceu a humanidade santíssima segundo
a qual é, e sem a qual não podia o Verbo ser sacerdote. Ela foi o templo
onde se celebrou a função mais grandiosa que nunca viram os séculos, a
Consagração pelo Espírito Santo do Sumo Pontífice Jesus. Ela foi o
primeiro altar onde o neo-sacerdote divino principiou o seu holocausto,
que com Ela ao lado se havia de consumar no Calvário.
Mas o sacerdócio católico não é senão a permanência através dos
séculos do mesmíssimo sacerdócio de Jesus; os que nos formámos para
ser ou somos sacerdotes, propriamente não sucedemos ao sacerdote
divino, senão que por Ele vamos sendo sublimados a participar a
dignidade e a exercer na terra o múnus do seu sacerdócio. Por isso é
que Maria gerando-o a ele sacerdote eterno, fornecendo-lhe a vítima,
assistindo, sendo o templo e altar da sua consagração e primeiro sacrifício,
ficou sendo a mãe daqueles que misticamente se compreendiam, contraiu