392 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
ê êëìíîêï ð êñìðòðï ê ñìêóôõö óìí ð óõ õìôïõ ÷ðíîöøùïîõ ðöôêúêí êîóûê
sentados nas terras do gentilismo e nos gelos da morte.
Terra de Santa Maria! Abençoada terra portuguesa!
Oh! Porque mudaram os tempos? Porque passou a primavera que
devia ser perpétua? porque veio o inverno carrancudo e gelado? Nortou
o vento da indiferença e crestou todo aquele viço! No jardim
desfolharam-se as flores, definharam as plantas, caíram pecos os frutos;
e a Terra de Santa Maria ameaçava tornar-se um pragal maninho onde
pululasse todo o mal, uma charneca árida e ressequida para o bem.
Felizmente que Maria velava do céu sobre o paraíso, sobre a terra
sua!
E Ela desceu do Céu a horas de meio-dia, como se o repicar das
Avé Marias fosse toque a rebate que a chamasse; desceu sobre a
azinheira enfezada, na charneca maninha. A charneca era realmente o
símbolo da terra ressequida; a azinheira a imagem da árvore frondosa,
que, por falta de chuva do céu, por efeito da secura da terra se ia, dia a
dia, cada vez mais definhando.
A divina jardineira desceu; e ao encanto da sua voz, ao império do
seu olhar, ao contacto milagroso da sua mão, na charneca árida brotou
uma fonte de fé e de milagres, milagres do corpo e milagres da alma,
onde Portugal (pródigo que volta à casa materna!) vem lavar os andrajos,
curar as chagas, beber a fé antiga, e com ela rejuvenescer as forças,
retemperar a saúde, recuperar todas as virtudes dos avós.
Mas a Virgem do Rosário, não contente com que os filhos venham a
Ela, vai Ela a buscá-los, de monte em monte, de vale em vale, em romaria
apostólica, a todas as terras, a todos os casais, a cada família. Quem há
hoje por lá que não conheça, que não tenha visto, que não tenha falado
na oração simples e confiada com a Senhora do Rosário de Fátima? E
que da conversação não tenha saído ou prometido sair melhor? A Virgem
do Rosário é hoje a grande Missionária de Portugal. Graças a Ela, a
terra de Santa Maria será sempre a abençoada terra portuguesa.
Havia porém uma nesgazinha de Portugal, separada por meia Europa
do solo pátrio, uma pedra preciosa desengastada lá dos nossos montes
e engastada aqui neste grande relicário da cristandade, nesta coroa do
mundo que é Roma: o Colégio Português onde filhos de Portugal, romeiros
da fé e do saber, da piedade e das letras, da santidade e da ciência se
formam para serem a luz do mundo e o sal da nossa terra, para brilharem
como lâmpada sobre o candelabro, como farol sobre a torre, como