390 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
¿À ÁÂÃ ÄÅÀÆÀÆÇÈ ÉÊÈ ËÈÌÀÆ È ÃÅÆÍÆÀÃÈ ÎÀ ÈÍÈÆÀÏÀÆ Ð ÑÊÒÇÓÈ ÔÂÆÈÕÖÖÖ
Bem vedes, Senhores, não apareceu!
O nicho na capela continua deserto e a inauguração não se fez. Quase
diria que a capela se vestiu de luto; luto que pesa um bocadinho também
sobre os nossos corações.
E aqui me tendes condenado a falar dum assunto que, antes de existir,
se desvaneceu...
Felizmente não é a imagem material a que importa; não é ela que nós
homenageamos; não é ela que vos assiste a vós no vosso peregrinar de
um mês, a nós na nossa romaria de anos? Convencido estou de que a
Virgem do Rosário, essa não nos falta: aqui está, aqui nos assiste, aqui
nos fita, aqui nos sorri paraísos, aqui nos envolve em eflúvios de amor o
seu coração materno!...
Eu vejo-a com os olhos da fé; e vós, se a tendes mais viva, se tendes
a alma mais inocente, mais infantil, mais digna de ser recompensada
com graças privilegiadas, abri os olhos, aplicai os ouvidos, alerta o
coração!... Quem sabe se sentireis na realidade, como os inocentes
pastorinhos da Fátima?!...
Terra de Santa Maria! Abençoada terra portuguesa! Abençoada pela
mão do Criador que a colocou ali “onde a terra se acaba e o mar começa”,
como coroa de safiras e esmeraldas na cabeça da Europa. No seu céu
de um anil sem par acendeu as estrelas mais brilhantes; da sua gleba fez
um jardim perfumado, onde floresce eterna e canta a primavera.
Colocou-a ali como caravela ancorada às portas do mar oceano,
berço pequenino de um grande povo, para cujo arrojo aventureiro os
mares seriam pequeno teatro, e as balizas do mundo acanhada meta,
pois que “se mais mundo houvera lá chegara”.
Terra de Santa Maria! Abençoada terra portuguesa!
Abençoada na alma nobre e boa, sóbria e generosa, arrojada e
prudente, alegre e sonhadora dos filhos que Deus lhe deu; capazes,
como os melhores, de se assinalarem em todos os campos da humana
atividade: tão destros em manejar a espada como a lira, na ciência de
bem dizer como na arte de bem fazer, nas artes como nas letras, em
sondar e explorar mares, ilhas, continentes, como em devassar as mais
árduas regiões do espírito.
Terra de Santa Maria! Abençoada Terra portuguesa!
Abençoada sobretudo porque o Salvador ao nascer lhe deu as suas
chagas por brasão, a crismou seu Apóstolo, a consagrou jardim, feudo,
solar, terra de Santa Maria! E Maria com carinhos de Mãe, com desvelos