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nesta empresa”, e assim enlutada, toma o seu lugar “no sublime e público
teatro”, onde se assentara “o rei inglês com toda a corte”.
E já os arautos iam a dar o sinal, para a justa, quando num dos
ângulos da praça um enorme reboliço atrai todas as atenções; era o
Magriço que, armado de ponto em branco, irrompia a galope pela praça
dentro, saudava garbosamente o rei e as damas e corria a abraçar e
enfileirar-se ao lado dos companheiros, com os quais condividia os
perigos do combate primeiro, logo as glórias do triunfo.
Meus Senhores:
Eu não sou Magriço, nem a minha pena tem pretensões de se medir
com a sua espada. Mas verdade, verdade!, algo parecido nos sucedeu
nesta academia, com a agravante que o desenlace não é tão poético
como o do torneio inglês.
Tinha-se planeado para estes dias a inauguração da belíssima capela
no andar nobre do Colégio. O altar-mor reservado para a Senhora do
Rosário de Fátima estava pronto a recebê-la, e, de um dia para outro
,esperávamos a chegada da imagem que nos prometem primorosíssima.
Entretanto ferviam os preparativos da festa. À religiosa havia de juntar-
-se uma literária, em que o Colégio, juntamente com o preito filial à
Virgem Mãe e ao Padre Santo, rendesse as devidas homenagens aos
ilustríssimos Prelados que nos honram com a sua presença e aos distintos
compatriotas que de tão longe vieram celebrar o jubileu de S. Santidade,
trazendo-nos a nós no aspeto franco, no sorriso simpático, na fala
conhecida o mais perfumado ramalhete de saudades, com que matar as
que por cá se sentem da pátria distante.
Um pedido formulado primeiro pela briosa juventude do Colégio,
ao qual o coração me inibia de responder com uma negativa, e depois
gentilmente repetido em forma de desejo por pessoa a cujos desejos
devo obediência, multava-me uma boa parte dos gastos da festa,
cabendo-me em sorte – sorte aliás invejável – ser paladino da Virgem
do Rosário. E eu esperava ansioso que ela chegasse, para ver se à luz
do seu olhar e ao calor materno do seu sorriso se inspirava e acendia o
meu entusiasmo.
Mas os dias passavam, passavam depois as horas e a celeste
Peregrina... andaria talvez por terras de Espanha, ou pela ribeira de
França, ou pelas históricas paragens de Itália?! Mas, Senhora, que achais
vós por aí que vos prenda, se não são Terras de Santa Maria? Se
dificilmente encontrais por lá a fé simples e sincera, a devoção profunda
e sentida, o amor acendrado e entusiasta dos vossos portugueses?
Doc. 109 1929-10-17