388 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
1929-10-17, Lisboa
O jornal “Novidades” publica o discurso do Pe. Luís Gonzaga da Fonseca no
Pontifício Colégio Português, em Roma.
Publ.: DCF, V-3 - Doc. 1025
¡¢ £¤¥¦§¨ A ROMA
Discurso pelo Snr. Dr. Luís
Gonzaga da Fonseca,
diretor espiritual do Colégio.
Ex.mos e Rev.mos Senhores,
Ex.mo Snr. Ministro,
Minhas Senhoras
Meus Senhores:
Todos vós tendes presente o delicioso episódio dos Doze de
Inglaterra, como o descreve Camões no Canto VI dos Lusíadas.
“Dos onze a ilustríssima companhia” vão-se de rota batida do Porto
a Londres, enquanto o Magriço, com “desejo de ver mais águas, que as
do Doiro e Tejo, várias gentes e leis e várias manhas”, vai só por terra,
rodeando meia Europa.
Em Londres fervem os preparativos do torneio: no labutar febril os
dias passam rápidos; está-se já na véspera, e tudo prestes. Só do Magriço
nem a pessoa nem notícias. A dama, a quem a sorte o dera por campeão,
esperançada primeiro, inquieta depois, despacha correios sobre correios
a esquadrinhar todas as estradas, manda recados sobre recados aos
companheiros do herói; mas ninguém o viu, ninguém recebeu novas dele,
ninguém sabe onde para.
Amanhece finalmente o dia aprazado, veste-se a cidade de gala; do
rei aos campeões, dos nobres ao último vassalo vai geral alvoroço. Só a
dama, ansiada entre o desespero crescente e a esperança moribunda,
aguarda suspirando a um balcão a resposta às últimas diligências que
mandava fazer.
Nisto, soa a hora de entrar em liça: é o dobre de finados que lhe
mata a última esperança: