386 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
{|} ~ . P. Magalhães que o dia 13 de outubro foi um dia de
festa só para Portugal ou só para os portugueses; também nós
participámos e fizemos participar os outros, quanto pudemos, das alegrias
da nossa pátria. Cá fizemos, pois, uma festinha na nossa capela da
Senhora das Graças, em Orte, comemorando assim o 12º aniversário
da última aparição de Nossa Senhora em Fátima. O Vigário Geral não
só nos deu licença de fazer a festa, mas até nos aconselhou a arranjar
uns programas e afixá-los na cidade para chamar o povo. A notícia da
festa lá se espalhou por toda a parte, apesar de só se ter feito um
programa, que foi afixado a uma das portas da Catedral.
Às 6 e 7 horas da manhã missas rezadas, e comunhão geral à missa
das 7, que foi celebrada pelo Rev.mo Sr. P. Fonseca.
Além dos alunos, dos criados e das religiosas, que estão connosco,
comungaram umas 15 pessoas de fora, – o que representa muito neste
meio de Orte, onde a instrução religiosa é quase nula. Foi com grande
prazer, que vimos aproximar-se nesse dia do confessionário e da mesa
eucarística uma velhota, nossa vizinha, que não punha os pés na igreja
há uma porção de anos. Uma graça de Nossa Senhora de Fátima? –
Assim o cremos. Durante a missa e à comunhão cantaram-se alguns
versos em honra do Santíssimo Sacramento e de Nossa Senhora. Cá o
nosso bom “Pedro” teve a amabilidade de nos fazer uma tradução ou
adaptação dos versos de Fátima para italiano, que cantámos durante a
missa e à noite no fim do terço e da bênção. Aí lhe envio uma cópia, que
o meu amigo fará circular.
Apesar de serem feitos um pouco à pressa, creio que não
envergonham o autor.
Às 9 horas houve missa cantada.
O celebrante foi o Sr. Vice-Reitor. Serviu de diácono o Rev.do P.
Sebastião, do Porto; e de subdiácono o nosso caro Venâncio, que nesse
dia exerceu a ordem pela primeira vez.
Tanto a missa cantada, como a da comunidade pela manhã, foi a da
Senhora do Rosário (tal qual como em Fátima), para o que obtivemos
licença da Congregação.
Às 4 horas da tarde, Vésperas solenes (de Nossa Senhora também).
Depois prática pelo Sr. Pe. Fonseca que descreveu em breves traços as
aparições de Fátima, explicando também as raízes da festa, e terminou
recomendando aos ouvintes a recitação do terço, aduzindo várias razões,
que temos, para o rezar com fervor todos os dias.
Passados três ou quatro dias, dizia-me uma mulherzinha, que era
capaz de me repetir toda aquela prática!... O que mostra que a tinha
ouvido com atenção.