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Maria –, a linda Senhora dos pastorinhos de Fátima –, ouve e
abençoa o brado da nossa fé.
A vasta multidão aglomerada na Cova da Iria, e vibrando unida no
mesmo amor a Jesus e à Virgem, é composta de almas, cada uma das
quais por Maria é conduzida a Jesus, à intimidade com Deus, à união
com Deus.
Por isso a atmosfera de Fátima é uma atmosfera de oração.Uma
graça poderosa parece impregnar o ar que ali se respira. A prece, feita
de adoração da bondade e da grandeza de Deus, de contrição dos
nossos pecados, de ação de graças por benefícios recebidos, de súplica
pelas nossas grandes necessidades, sai dos corações tão abundante
como a água que jorra da fonte miraculosa.
Reza-se e deseja-se fazer sempre mais. Mesmo quando as forças
do corpo esgotadas, não podem mais, a alma não está ainda saciada.
Maria quer ver as almas no convívio estreito com Jesus. Ad Jesum
per Mariam.
* * *
Maria, concebida da mente do Eterno para dar aos homens o Verbo
de Deus, continua a completar em Fátima a sua missão de colaboradora
indispensável do Senhor na obra da Redenção humana, dando os homens
a Jesus.
E Jesus-Hóstia, oculto sob as espécies sacramentais, olha
enternecidamente o mar humano que a seus pés se espraia por toda a
vastidão dos senhorios da Virgem, no mistério e na sombra das longas
noites de adoração.
Das multidões joelhadas ergue-se até à custódia de oiro, agora o
murmúrio lento das orações, logo a rajada impetuosa e triunfal dos
cânticos saudando a Cristo Rei no Sacramento do seu amor infinito.
O clamor imenso das aclamações, sobe até às estrelas. Toda a
montanha estremece e se abraza, e “arde na glória do Senhor”.
Fátima é a nova Tabor. A alma portuguesa, no deslumbramento do
vulto fulgurante de Jesus que “passa fazendo o bem” e ali reina pelo
amor do Seu Coração, ouve a voz do Céu – “Este é o meu filho bem
amado no qual pus as minhas complacências. A vós cumpre ouvi-lo”.
“ – Ó Senhor! como é bom estar aqui...!”.
Pe. Manuel Pereira dos Reis
Doc. 102 1929-05-12