372 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
ÙÚÛÚ ÜÝÞßàáÚÛ â ãà ßÚäÛå âÝ ÞÚ ÛÚ â ãà ßÚäÛå ÞÛåÜåæáàÚÛ, as multidões
correm a Fátima, como se o milagre fosse o objetivo principal da
passagem de Jesus entre os homens...
O nosso egoísmo faz-nos esquecer que os milagres do Senhor
constituíram simples incidentes e que o fim único da vida terrestre do
Homem-Deus, foi trazer-nos a “mensagem do Pai”, “iluminar os que
estavam imóveis nas trevas e nas sombras da morte”, fazer-nos um com
Ele próprio, tornar-nos noutros Cristos pela Redenção.
Esquecemos...
Queremos ver prodígios...
E em Fátima, por disposição da Providência de Deus que “bem
conhece o barro de que somos feitos”, Maria, a Medianeira de todas as
graças, acolhe as nossas pobres súplicas e, com a sua omnipotência de
Mãe junto do Filho, apresenta-os a Jesus. E Cristo “passa fazendo o
bem”: sara os nossos males, livra do sofrimento os Seus humildes irmãos
pecadores.
E para quê?
Para que o Evangelho “seja anunciado aos pobrezinhos”.
Fátima é a repetição da história evangélica da Judeia e da Galileia.
* * *
Na charneca ainda estéril da Serra de Aire, Jesus passa, pregando
Ele próprio a sua doutrina e “confirmando-a com sinais” divinos. Quando
amanhã a ciência, após meticuloso estudo, vier terminantemente fazer
confissão da sua impotência para explicar por meios naturais os prodígios
da Cova da Iria, estaremos em presença do milagre – o fenómeno
sensível, extraordinário, que atrai todos os olhares, que se impõem a
todas as inteligências, que se proclama com entusiasmo, que é narrado,
descrito, demonstrado.
Estaremos em presença do facto apologético de Fátima,
denunciando a intervenção direta de Deus, a Quem apraz revelar a sua
omnipotência por uma forma tangível, indubitável.
E com que fim?
Para confirmar a fé dos que creem e para acender a luz da crença
nas almas de boa vontade onde ela não brilha, dispensando-as de buscar
algures, à custa de mais longo e mais penoso esforço, as consoladoras e
fortes certezas da doutrina que salva.
Fátima surgiu providencialmente para que o Senhor possa ouvir ali,
como ouviu outrora na Judeia, o brado angustiado dos corações
portugueses, onde a esperança renasce: – “Senhor, a quem iremos? Só
tu tens palavras de vida eterna!...”.