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daquele lugar sagrado; e, ao despedir-se, traz uma saudade que se lhe
prende a alma, como no coração do exilado se prende a nostalgia da
pátria distante...
É possível que não volte, mas sentirá necessariamente o desejo de
voltar.
A que atribuir tão estranho poder de atração?
* * *
Nada, ou quase nada sabemos, ao certo, das aparições de Fátima.
A Santa Igreja vem longamente meditando, há doze anos, o ensinamento
que um dia nos fará ouvir. Enquanto se agita a nossa impaciência de
humanos, cuja vida se conta por dias, a Igreja, segura da sua imortalidade
que domina os séculos, guarda silêncio e não pronunciou ainda a palavra
que há-de esclarecer o segredo da Cova da Iria.
Quando a pronunciará?
Só Deus sabe.
A nós basta saber o prestígio inegável de Fátima e o eterno prestígio
do divino quando se manifesta ante dos nossos pobres olhos humanos.
* * *
Já foi assim quando o Senhor chamou Pedro, Tiago e João a
presenciar a visão triunfal do Tabor: – “Ó Senhor! como é bom estar
aqui! Vamos levantar três tendas para Ti: para Moisés e para Elias que
vemos a teu lado. Nós dispensamo-las: basta-nos a felicidade sem limites
de ver as claridades da Tua glória.
As multidões de Portugal, ouvindo o pregão das criancitas ignorantes,
edificaram em Fátima as tendas modestas – santuários pobrezinhos que
são a casa do Senhor –, ajuntam-se cada vez mais numerosas na Cova
da Iria, e enlevadas na beatitude da visão de Cristo que passa, ainda até
agora não careceram de tendas onde repousar.
... E Cristo, compadecido das turbas que sofrem, “passa fazendo o
bem”, como percorreu outrora a terra da Judeia e da Galileia.
Mas, como em Caná, assim também na Cova da Iria é Maria, a Mãe
de Jesus, quem, intercedendo por nós, inspira as obras de misericórdia
de seu Filho e nos ensina a merecê-las: – “Fazei o que Ele vos ordenar”.
Cristo “passa fazendo o bem”: – “Os cegos veem, os coxos andam,
os leprosos são limpos, os surdos ouvem... e o Evangelho é pregado
aos pobrezinhos”.
* * *
Doc. 102 1929-05-12