368 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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puder sobre Fátima e sobre o Seminário, já que mais ninguém é capaz
de o fazer… Eu precisava de alguns santinhos de Nossa Senhora de
Fátima; mas não tenho cum quibus…; por outro lado envergonho-me
de os pedir diretamente ao Sr. Bispo ou ao Sr. Dr. Marques. É claro
que não eram para mim: eram para distribuir por esse mundo além.
Quererá V. Revª fazer-se meu intercessor?
Da questão romana que quer que lhe conte? Notícias abundantes
devem vir nas “Novidades”. Limito-me a algumas impressões
particulares. Os italianos estão contentíssimos (pudera!). Eu nunca vi
tanto entusiasmo em Roma toda e em S. Pedro como no dia 12 p.p. É
claro que nada disto se compara ao entusiasmo de Fátima, porque os
italianos são muito frios. Durante todo o cortejo pontifício (e eu pude
observar tudo muito bem porque ia encorporado nele, a servir de
secretário de sua Emia, o Sr. Cardeal Bisletti) os vivas e as palmas eram
contínuas. Até aqui parece que os italianos não gostavam nada do Cardeal
Gasparri; mas agora!?... Ao longo do cortejo todos perguntavam por
ele, todos apontavam para ele, e muitos lhe davam vivas!
Um dos vivas que, por umas poucas de vezes me feriu os ouvidos,
foi este: “Viva il Papa della Conciliazione!”
No fim do Pontifical, o Papa deu, no centro da Basílica, a bênção
papal com indulgência plenária a todos os presentes. Estavam muitos
oficiais italianos de vários regimentos e da milícia fascista; e todos
perguntavam pelo Gasparri. Bendito seja Deus! Foi um dia
completamente cheio.
Graças a Deus que já se vê a bandeira arvorada em Roma ao lado
da Italiana, não só nas casas particulares mas até nos edifícios do estado!
É a melhor obra de Mussolini. Soube no dia 12 em casa do cardeal
Bisletti que o rei não queria assinar o tratado de conciliação; foi preciso
ser obrigado pelo filho, o príncipe Umberto, (que é muito piedoso) e
por Mussolini. Basta ele ser maçónico. O príncipe Umberto há muito
que andava deserto que se chegasse a este acordo.
Como esta já vai de légua e meia, e, o que é pior, sem pés nem
cabeça, vou terminar pedindo a fineza de desculpas para todas as faltas
que encontrar ao longo destas 15 páginas. Ao menos é uma vez boa!
O Sr. Pe. Fonseca pede-me para lhe apresentar muitos cumprimentos.
Ele vem ficar ao Colégio, mas durante o dia não está. Vem às 6as, ceia
connosco e sai de manhã pelas 6 horas e meia, pouco mais ou menos.
Como vê é muito pouco tempo. Paciência. A rapaziada aí teve festa
todos os três dias de Carnaval, não é verdade? E que tal? Nós aqui não
tivemos divertimento nenhum.