366 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
em chegado a 10 negativos (e não sei se mais). Há dias, chegámos
à Universidade e dentro do pátio estava 2 ½ abaixo de zero. Isto às oito
horas. E quem se levanta às 5h e ¼!
É que a vida nem sempre é um mar de rosas; – por enquanto vai
sendo, mas é um mar de gelo!
Isto quanto ao tempo.
Está nomeado um vice-reitor para o Colégio: um Padre da Madeira
(Dr. Teodósio) que eu não conheço. Não sei quando virá. Talvez depois
da Páscoa.
Nos dia 2 do corrente, fizemos uma academia em honra do Papa e
de Nossa Senhora, cujo programa lhe envio. Assistiram: Alguns
brasileiros, 3 franciscanos (um dos quais veio para Roma o ano passado,
e é lá dos meus lados. O Sr. Dr. Marques deve conhecê-lo – é o Sr. Pe.
Jacinto da Costa, dos Matos, patrício do A. Manso); dois jesuítas
brasileiros; o Sr. Pe. Fonseca, o Sr. Pe. Fazenda e o Sr. Pe. J. M.
Moreira. Presidiu o Sr. Bispo de Meliapor. Correu tudo menos mal.
Aí vai também um programa para o Sr. Dr. Marques. Gostei muito
de falar com o Moreira. Fiquei a conhecê-lo bem. É um belo rapaz:
franco, alegre e sobretudo um apóstolo de Fátima.
Como tal nunca vi! A propaganda de Fátima que ele fez pelo Brasil
já V. Revª a conhece, creio eu. No entanto, deixe-me dizer-lhe alguma
coisa. Pela região onde ele estava foram já distribuídas mais de 2.000
estampas de Nossa Senhora (daquelas que trazem a novena). Artigos
em jornais e revistas escreveu uma porção deles. A propósito de um
artigo que escreveu num dos jornais dali (O “Jornal Pequeno”), contou-
-nos o seguinte: – O artigo intitulava-se a “Lourdes Portuguesa”. Ora
quando há um artigo excecional saem os garotos para a rua a anunciá-lo
por toda a parte. Foi o que fizeram também com este. E toda a gente
queria saber do que se tratava. O caso é que, passado pouco tempo,
estavam vendidos todos os jornais. Havia ali um célebre espiritualista –
e dos mais avançados a quem um amigo levou o jornal para que ele
lesse também. “Ná! Não leio.”
– “Há-de ler; pois porque não?”. E na verdade para comprazer com
o amigo, leu… E, antes de terminar a leitura, volta-se para ele e diz:
– “Mas isto é bonito!...”.
– “Pois sim, mas leia tudo”.
E o espiritualista continuou a ler até ao fim. E diz-lhe o amigo que
advertira já na impressão que lhe causara a leitura daquele modesto
artigo (em que descrevia brevemente a história das aparições e a
peregrinação de maio do ano passado): “Então que lhe parece?”.