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Deixe-me perguntar ainda uma coisa que não sei se fiz mal. É o seguinte:
Nas revelações dos 5 sábados quando as comuniquei ao meu confessor
que era então o Senhor D. Lino, mandou-me que escrevesse tudo o que
a isto dizia respeito e guardasse esses papéis que podiam ser precisos;
obedeci e escrevi; mas, entretanto, vim para o noviciado e até hoje
tenho-os conservado sem saber o que lhe havia de fazer; agora que já
bastantes pessoas tem conhecimento da devoção que eles tratam, pensei
que os podia queimar porque posso morrer e não queria que de mim
ficasse memória e sucedendo encontrarem-mos depois da morte não
será já tão fácil ficar no esquecimento; não quis contudo fazer isto só
por minha cabeça e, numa ocasião em que falava com a Rv.da Madre
Provincial, perguntei-lhe se podia queimar uns papéis que me tinha
mandado escrever o meu confessor, quando estava em Pontevedra. A
Madre Superiora ficou-se calada por um momento e depois perguntou-
me se eu achava que se podiam queimar? Respondi que me parecia que
sim. Mas a Rv.da Madre Superiora perguntou ainda: se a Irmã se não
importasse que eu os lesse entregava-mos e eu então via se se podiam
queimar. Tive receio que a Madre Superiora os não queimasse e fiquei
calada por um instante; depois respondi; não me importa que V. Rv.cia
os leia, eles tratam de algumas coisas que aconteceram em Pontevedra.
A Rv.da Madre Superiora, conhecendo a pouca vontade que eu tinha de
os entregar, disse: Olhe meta-os dentro dum sobrescrito e ponha por
fora, coisas de consciência; assim já ninguém os lê. Fiquei sem dizer
palavra; então a Rv.ma Madre Superiora disse: a Irmã tem vontade de os
queimar não é verdade? É sim, Madre Superiora. Mas nunca mais
ninguém lhos pediu nem lhe falou neles? Não, Madre Superiora. Então
acho que os pode queimar e se for preciso depois a Irmã torna a contar
tudo, não é verdade? Sim, Madre Superiora, mas parece-me que não é
preciso. Então, queime-os. Agora, Senhor Padre Mestre, tenho receio
de ter ido contra a vontade de Deus, mostrando demasiado desejo de
os queimar antes que entregá-los.
Senhor Padre Mestre, pelo amor de Deus, perdoe-me tanta confiança
e tão grande maçada que só Deus pode recompensar e nas minhas
fracas orações nunca esquecerei quem tanto bem me tem feito. Beija
com toda a humildade e respeito a mão de V. Rv.cia
Lúcia
Doc. 93 1928-01-27