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aa a a a O prestígio de que goza na sua
diocese é deveras notável e excecional.
– O sr. D. José é um dos mais notáveis bispos portugueses – ouvimos
comentar a um grupo, em que se discutiam assuntos de arte religiosa. –
Possuindo uma sólida cultura e uma rara erudição, nunca o nosso
venerando Prelado deixou de emitir uma opinião segura e criteriosa,
acerca de qualquer assunto, sobre o qual tenha sido consultado.
– Ainda há pouco – referia de lado o Rev. Padre Lacerda, estimado
pároco da freguesia dos Milagres – foram feitas a S. Exª. Rev.ma algumas
perguntas, das que vulgarmente se chamam de algibeira, porque raro é
encontrar-se alguém habilitado a responder de pronto e com segurança.
Pois o sr. Bispo de Leiria não hesitou um momento em dar a resposta
desejada, apesar de se tratar dum assunto, em que se requerem
conhecimentos especializados. O sr. Bispo de Leiria é um Prelado culto
e sabedor que dá honra ao venerando corpo do Episcopado Português,
e da sua ação disciplinadora e apostólica muito tem a esperar a Igreja
em Portugal e particularmente a diocese de Leiria.
Como duma visita de cumprimentos, se deriva uma conversa cheia
de interesse e oportunidade
Foi, pois, no cumprimento dum grato dever de cortesia e
reconhecimento, que no edifício do atual Paço Episcopal fomos procurar
S. Exª. Rev.ma o sr. Bispo de Leiria.
Fizemo-nos anunciar com um simples cartão de visita. E alguns
momentos passados, um reposteiro se abre, deixando aparecer a figura
veneranda do sr. D. José, a quem o debruado vermelho da batina e a
Cruz que lhe pendia do peito imprimiam um tom de Patriarcal majestade.
– Então por Leiria? – perguntou o Prelado com bondade.
– É verdade sr. D. José. Vim como delegado do meu jornal, assistir
à reunião que se realizou no Edifício da Câmara, por motivo do novo
Caminho de Ferro de Tomar à Nazaré. E uma vez nesta cidade, não
devia retirar-me sem cumprir o dever de vir cumprimentar S. Ex.ª. Rv.ma.
– E gosta de Leiria?
– Gosto muito. Admiro sobretudo o aspeto imponente do seu castelo.
– Demora-se muito por cá?
– Apenas o tempo indispensável para colher os elementos de estudo
necessários a uma série de crónicas que me proponho escrever, tomando
para assunto o novo Caminho de Ferro de Tomar à Nazaré. Para isso
tenciono percorrer toda a região servida por este Caminho de Ferro,
indo daqui para Alcobaça, Nazaré, Batalha, Porto de Mós, Ourém,
Doc. 86 1926-05-13