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na cabeça. Chovia muito. Quando chegámos à Cova da Iria não se
podia romper com o povo; a estrada estava cheia de carros e automóveis.
À hora do meio-dia deu um relâmpago e a Senhora apareceu na
carrasqueira: “O que é que Vossemecê me quer?”, perguntei eu. Ela
respondeu: “Quero-te dizer que não ofendam mais a Deus Nosso Senhor,
que já esta muito ofendido; continuem a rezar o terço todos os dias;
quero que façam aqui uma capelinha à Senhora do Rosário”. Então
como é que Vossemecê se chama? Ela respondeu: – “Eu sou a Senhora
do Rosário”. Parece-me que disse ainda deste modo: “Convertam-se, a
guerra acaba hoje, esperem pelos seus militares muito breve”. A minha
prima Jacinta disse-me em casa que a Senhora falou assim: “Convertam-
-se que a guerra acaba dentro dum ano”. Como estava a pensar nos
pedidos que queria fazer a Senhora, não deitei bem sentido. Fiz-lhe os
pedidos e ela deu-me a resposta das outras vezes. Nisto subiu para o
lado do nascente, escondeu-se nas nuvens. Pouco antes de a Senhora
aparecer, parou a chuva; e quando ela desapareceu, olhamos para o
sol. Dum lado do sol vimos um vulto de homem, da cinta para cima,
com o Menino Jesus nos braços, e do outro lado a Senhora que tinha
estado na azinheira. O Menino Jesus abençoava o povo. Veio-me a
ideia de que o homem seria S. José. Estava um resplendor tão grande
que não nos deixava ver à vontade. Desapareceram e depois apareceu
do lado direito do sol Nosso Senhor, que só se via da cinta para cima,
vestido de vermelho, e do outro lado Nossa Senhora, vestida de roxo,
parecendo Nossa Senhora das Dores. Nosso Senhor fazia várias cruzes.
Parece-me que ainda vi outra figura, que parecia ser Nossa Senhora do
Carmo, porque tinha qualquer coisa pendurada na mão direita
Desapareceu tudo e nunca mais vi nada, até hoje”.
– “Os teus primos falaram alguma vez com a Senhora?”. Respondeu:
“Nunca falaram; uma vez combinámos que a Jacinta lhe falasse, mas,
chegando lá, a Jacinta não disse nada.”
– “O semblante da Senhora era risonho?”. Respondeu: “Era triste;
quando falava, abria as mãos que estavam juntas e erguidas de encontro
ao peito”.
– “Os teus primos onde estão?”. Respondeu: “Já morreram. O
Francisco esteve doente, alguns meses, e dizia que queria ir para junto
da Senhora; a seu pedido, rezei com ele o terço, algumas vezes, durante
a doença. A Jacinta morreu em Lisboa; fui vê-la ao hospital de Vila
Nova de Ourém e lá rezei também com ela”.
– “Tens a certeza de que viste realmente uma Senhora em cima da
Doc. 82 1924-07-08