318 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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minha mãe chegou a bater-me com o cabo duma vassoura”.
– “Voltaste a Cova da Iria no mês de julho?”. Respondeu: “Voltei no
dia treze de julho, como a Senhora recomendara; estava lá bastante
gente, pela hora do meio dia. Rezámos o Terço ao pé da carrasqueira;
depois de acabar, estando de pé, deu um relâmpago, e apareceu a
Senhora em cima da azinheira. E eu perguntei-lhe: o que é que Vossemecê
me quer hoje? A Senhora respondeu: – “Quero que continuem a vir aqui
o resto dos meses e continuem a rezar o terço”. Depois a Senhora disse:
“Querem aprender uma oração?”. “Queremos sim”, respondi. E a
Senhora ensinou assim: – “Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo
do inferno e levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas
que mais precisarem”.
Em seguida, confiou a mim e à Jacinta algumas palavrinhas,
recomendando-nos que não as disséssemos a ninguém, só as podendo
dizer ao Francisco. Como me tinham pedido, pedi à Senhora a cura de
algumas pessoas, umas cegas, outras aleijadas e outras mudas, e ela
disse que dentro dum ano algumas seriam curadas. E nisto subiu ao Céu
como das outras vezes”.
– “No mês de agosto, passou-se tudo da mesma maneira?”.
Respondeu: “No mês de agosto foi diferente. Antes do dia 13 de agosto,
eu e meus primos fomos chamados à Administração; o meu tio não
levou lá os filhos, mas eu fui com meu pai. O senhor Administrador
interrogou-me, quis insistentemente que eu lhe revelasse o segredo da
Senhora, o que eu não fiz; depois de escrever mandou-me embora. No
dia treze iamos para o sítio da carrasqueira, quando nos disseram que
primeiro tínhamos de ir a casa do Senhor Prior. Lá fomos, subindo para
a varanda da casa. Depois de estarmos algum tempo à espera, apareceu
o Senhor Administrador que nos mandou entrar para um carro, dizendo
que assim íamos mais depressa para a Cova da Iria.
Meu pai disse que nós iamos a pé, mas o Senhor Administrador
teimou que era melhor irmos no carro, porque íamos livres do povo.
Então, por ordem de meu pai, subi para o carro com os meus primos. O
carro deu uma volta e seguiu na direção de Vila Nova de Ourém. “Não
é para este lado”, disse eu, mas o Senhor Administrador respondeu que
íamos a Ourém a casa do Senhor Prior e que ainda viríamos a tempo
porque vínhamos de automóvel. Quando chegámos a Ourém, fecharam-
-nos num quarto e disseram que não sairíamos dali enquanto não
declarássemos o segredo que a Senhora nos confiou. No dia seguinte3,
uma senhora de idade interrogou-nos sobre o segredo; depois levaram-