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Doc. 82
1924-07-08, Porto
Interrogatório oficial de Lúcia de Jesus, realizado pelos Padres Drs. Manuel
Nunes Formigão e Manuel Marques dos Santos, membros da Comissão Canónica,
acompanhados pelo Pe. Dr. Manuel Pereira Lopes, que serviu de notário, acerca
dos factos ocorridos na Cova da Iria em 1917.
Publ.: DCF, II - Doc. 8
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In nomine Patris et Filli et Spiritus Sancti Amen. Aos oito dias do mês
de julho de mil novecentos e vinte e quatro, reuniram-se no Asilo de
Vilar os reverendos doutores Manuel Nunes Formigão Júnior, Manuel
Marques dos Santos e Manuel Pereira Lopes, nomeados pelo Senhor
Bispo do Porto, a pedido do Senhor Bispo de Leiria, para procederem,
na diocese do Porto, a um inquérito acerca dos acontecimentos
extraordinários que, segundo é voz corrente, se deram em Fátima,
concelho de Vila Nova de Ourém, diocese de Leiria, servindo o primeiro
de presidente, o segundo de promotor da Fé, e o terceiro de notário.
Perante eles, no mesmo Asilo de Vilar, da cidade e diocese do Porto,
compareceu Lúcia de Jesus, de dezassete anos de idade, filha legítima
de António dos Santos, já falecido, e de Maria Rosa, natural da freguesia
de Fátima e atualmente educanda no referido Asilo. Ajuramentada aos
Santos Evangelhos, prometeu dizer toda e só a verdade. Às perguntas
do senhor presidente sobre nome, idade, filiação e naturalidade,
respondeu: chamo-me Lúcia de Jesus, tenho dezassete anos, sou filha
de António dos Santos, já falecido, e de Maria Rosa, e nasci no lugar de
Aljustrel, freguesia de Fátima, concelho de Vila Nova de Ourém.
– Quando fizeste a primeira Comunhão? Respondeu: Fiz a primeira
Comunhão aos sete anos; o senhor Prior não me queria dar por eu ser
muito pequena, mas por fim fez-me a vontade, a pedido do senhor Padre
Pena1.
Aconteceu-te alguma coisa importante na Cova da Iria? Respondeu:
aconteceu-me o seguinte: No dia treze de maio de mil novecentos e
1 António Rodrigues Pena. Foi pároco de Fátima entre 1909 e 1914.
Doc. 82 1924-07-08