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øùúûüýùþÿû Dù þù António de Paula
6. Manuel António de Paula, de sessenta e um anos de idade, natural
do lugar de Boleiros, freguesia de Fátima e morador em Lisboa, na rua
de Santa Marta, número duzentos e dezoito, primeiro andar, passou os
meses de setembro e outubro de mil novecentos e dezassete na sua
terra natal. Antes dessa época, soube por cartas de pessoas das sua
relações e de confiança, de Boleiros e de outros lugares da freguesia,
que se tinham verificado acontecimentos extraordinários no céu à hora
da aparição de Nossa Senhora a três crianças que só conheceu depois
no mês de setembro. Ficou muito admirado e tratou de indagar o que
havia de verdade, escrevendo a um amigo de Boleiros, António Borralho,
filho de Jacinto Borralho, tendo ido por esse motivo a mãe dele falar
com os pais das crianças. O António respondeu que não era falso o que
as crianças diziam, porque havia todos os indícios de que falavam
verdade.
Em setembro apressou a sua vinda por estar ansioso de saber bem e
presenciar o que se passava. Em treze de setembro foi à Cova da Iria,
mas não viu senão muito povo, que muitos calculavam em cinquenta mil
pessoas. Esteve pouco mais ou menos à distância de sete metros das
crianças, que viu chegar no meio de uma grande multidão que as
acompanhava e viu-as ajoelhadas junto da azinheira a rezar o terço. A
certa altura as pessoas que estavam próximo disseram que se
descobrissem, porque as crianças o tinham mandado por Nossa Senhora
estar presente. Onde ele estava todos se descobriram respeitosamente.
Uns estavam de pé, outros de joelhos. Quase todos ajoelharam quando
elas deram a ordem. Houve pessoas que disseram ter visto uma estrela.
Outros lastimaram-se de não ter visto nada. Em seguida foi a casa das
crianças e primeiro à da Jacinta. Ali encontrou muita gente. Umas senhoras
estavam interrogando a Jacinta e pedindo-lhe que rezasse para que
acabasse a guerra. Por isso foi para casa da Lúcia. Estavam ela e os
pais. Falou com a mãe. Também estava a casa tão cheia de povo, que
quase ninguém podia lá mover-se. Perguntou então à mãe o resultado.
A mãe respondeu que a filha depois da primeira aparição foi para casa
à noite e que lhe disse ter visto Nossa Senhora na Cova da Iria. Não
quis acreditar porque a filha não era o que ela desejava que fosse, com
méritos para ver Nossa Senhora. Quis bater-lhe. A Lúcia com medo
dela, começou a dizer por fora o que se passava e não queria contar à
Doc. 80 1923-09-23