310 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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respondeu que não era ela, mas sim um anjo, o vulto que a Carolina,
filha mais nova da depoente, de doze anos, e uma pequena de sete
anos, de Espite, viram a vinte e oito de julho junto da azinheira, de
pequena estatura, muito lindo, de cabelo loiro, vulto que depois a Carolina
viu em cima da azinheira.
Em treze de outubro quando a Lúcia disse: “Já lá vem Nossa Senhora,
estando uma das filhas da depoente, chamada Maria, em cima de uma
pedra, a um metro da azinheira, do lado do nascente, para guardarem o
arco para o povo o não estragar, a rapariga sentiu uma pancada na cara,
viu uma luz muito bonita ao pé dela e deu um grito dizendo: “Ai! Nossa
Senhora!”. A depoente olhou e viu uma estrela, uma bola, não
inteiramente redonda, como um ovo, muito bonita, das cores do arco
celeste, mas muito mais vivas, tendo uma cauda de metro e meio de
cores brilhantes. Passou muito rapidamente e perto da azinheira, e
desapareceu a um palmo da terra. Viu o sol que desceu muito.
Depois de treze de setembro disse à Lúcia que perguntasse à Senhora
quem ela era. A azinheira abanava muito quando ela disse que vinha a
Senhora. Ouviu a Lúcia perguntar: “A Senhora deu licença para fazer a
capelinha, agora diga com que título havemos de a adorar”. Quando ela
se levantou, depois da aparição, perguntou-lhe que título ela tinha dito e
a pequena disse que era Nossa Senhora do Rosário. Nesse dia a Lúcia
disse também: “Agora fechem os chapéus”, que já vem S. José ao sol e
o Menino deitar a bênção, em bem Nossa Senhora chegando ao Céu”.
Depois que ela disse isto o sol bailou. Daí em diante, a concorrência
tornou-se cada vez maior. Indivíduos mal intencionados vieram de longe
fazer um desacato. O povo queria que se fizesse uma capela. Ela pediu
ao senhor Prior que desse licença para se fazer uma capelinha a fim de
se guardarem as esmolas que se recebessem em géneros e ele deu licença.
A depoente falou com um pedreiro e fez-se a capela. Mandou fazer
o poço o ano passado. A água apareceu há dois anos.
Este depoimento foi confirmado com juramento pelo marido, que
não acrescentou nada digno de nota. Nem a depoente nem o marido
sabem escrever.
A rogo da testemunha António dos Santos
Doutor Padre Manuel Nunes Formigão Júnior, relator
Doutor Padre Manuel Marques dos Santos, promotor da fé