309
ÎÏÐÑÒÓ ÔÐÕÐÖÐ × Ó Ø×ÙØÓ ÐÙÙÓÚÛÓ Ò× ÔÓÜÏ×Ý× Þ ßÐàÝÛÒÐá Antes da aparição
rezaram o terço. O marido disse que ela olhava para a Senhora e de vez
em quando para o lado e que lhe perguntou porque fazia isso, ao que ela
respondeu que era porque cegava a vista com o resplendor que tinha.
Pediu a Lúcia pelas melhoras duma pessoa de Pedrógão, pela conversão
duma família de Fátima, e por um homem da Atouguia que lhe pedira
que Nossa Senhora o levasse para o Céu quanto antes. Depois a depoente
ouviu dizer que a pequena tinha afirmado que Nossa Senhora dissera
que não tivesse pressa, porque bem sabia quando o havia de levar.
Afirmou também a Lúcia que a Senhora lhe tinha dito o segredo. Na
ocasião da aparição ouviu-se um ai, ficando a pequena assustada. Depois
desse dia muitas pessoas a procuravam e lhe perguntavam o segredo.
Um dia vieram umas senhoras e uma delas perguntou-lhe se o segredo
era bom ou mau, e ela disse que para uns era bom, para outros era mau,
e para ela e para os primos era bom.
Em agosto juntou-se muita gente. A depoente estava presente à espera
das crianças. À hora do meio-dia soube-se que o administrador levou
as crianças presas para Vila Nova de Ourém. O povo ficou pesaroso e
indignado. Houve um rumor ao pé da azinheira que causou tão grande
susto ao povo, que pareciam estar todos doidos, soltando grandes gritos
e julgando que morriam. O povo, pouco a pouco, foi-se retirando. A
depoente não viu nada de extraordinário. Levantou algumas esmolas
para as guardar a pedido de outras pessoas. Ninguém, nem os pais da
Lúcia a quem pertencia o terreno, nem os pais da Jacinta, nem o pároco,
quiseram aceitar as esmolas, recomendando este, que as guardasse até
ver no que dava tudo aquilo.
Quando as crianças voltaram à Cova da Iria, disse-lhes que
perguntassem à Senhora o que havia de fazer ao dinheiro. Nos Valinhos,
quando se deu ali a aparição, a dezanove do mesmo mês, a pequena fez
realmente à Senhora essa pergunta e a Senhora disse que fizessem dois
andores e os levassem para a igreja de Nossa Senhora do Rosário.
Muitas pessoas ficaram com pena de que o dinheiro não se aplicasse
em alguma coisa a fazer no local e disseram à Lúcia que pedisse
autorização para fazer uma ermida no local, autorização que a Senhora
deu em treze de setembro, com a condição de darem metade do dinheiro
existente para a Senhora do Rosário da Fátima. Reuniu-se a quantia de
treze mil quinhentos e quarenta, em treze de setembro. E cumpriu-se o
que a Senhora ordenou.
Em treze de setembro, a depoente voltou de novo ao local. Nos
Valinhos perguntou a Lúcia à Senhora, a pedido da depoente, se Nossa
Doc. 80 1923-09-23