308 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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havia tempo. Quase ao mesmo tempo levantou-se e disse que lá vinha
Nossa Senhora, pois já tinha feito o relâmpago. Correu para o pé da
azinheira, ajoelhou-se e todos fizeram como ela. Momentos depois
perguntou à Aparição: “Vossemecê mandou-me aqui vir, faça favor de
me dizer o que me quer”. Ouviu uma zunida que vinha da azinheira, não
compreendendo uma só palavra da resposta. A Lúcia olhava para a
azinheira, assim como as outras duas crianças, estando todos de mãos
postas. A depoente não compreendeu bem o que ela depois disse à
Aparição mas as outras pessoas disseram-lhe que a pequena lhe tinha
perguntado se lhe queria mais alguma coisa. Em seguida disse: – “Olhem!
Querem-na ver?... Lá vai ela, lá vai ela!” Ouviu-se então uma espécie
de assobiar de foguete, quando ganha força para subir. Olhou e viu uma
nuvem de fumo elevando-se da azinheira e dirigindo-se e subindo para
o nascente, apontando a pequena para ela. Viu-se também muito alta e
muito longe. Por fim desapareceu da vista. A nuvem era um nevoeiro
muito leve. Fazia sol e muito calor, estando o tempo bastante descoberto.
Antes da aparição, viu os grelos da azinheira viçosos e muito direitos.
Depois da aparição os grelos estavam como que inclinados, numa rodinha
em cima, para o nascente como se os vestidos os tivessem tombado
nessa direção. O povo começou a tirar raminhos da azinheira,
recomendando a Lúcia que não tirassem de cima, mas de baixo, tirando
então o povo folhas e raminhos da parte de baixo. Fizeram por fim uma
pequena devoção antes de se retirarem.
Este depoimento foi confirmado com juramento pelo marido, que
chegou ao local das aparições pouco antes da chegada dos três videntes.
Esse depoente porém, acrescentou mais nada, digo, não acrescentou
mais nada de notável.
No domingo seguinte foi ela com as duas filhas mais velhas rezar o
terço junto da azinheira. No outro domingo voltaram só as filhas e já se
juntaram mais algumas pessoas a rezar. Ao domingo e mesmo de semana
começava-se a rezar no local.
Foi lá também em treze de julho. Tinha pedido à Lúcia que deixasse
estar o filho João ao pé deles, ao que ela acedeu. Levou uma pedra e
sentou-se. Estava muita gente, que começou a vir cedo. Quando a Lúcia
disse que vinha a Senhora, o filho escorregou e caiu. Pediu-lhes que
rezassem por ele, ao que ela disse que a Senhora tinha dito que o
melhorava ou que lhe daria meios de se governar e que rezasse sempre
o terço a Nossa Senhora com a família. Estavam todos ajoelhados.
Disse a Lúcia: “Já lá vem Nossa Senhora”. Ouviu-se a mesma zunida