306 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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convidarem. Notou que as crianças eram como as outras crianças,
perfeitamente normais, com o juízo no seu lugar. Pareciam-lhe sérias.
Alguma coisa lhes ouviu sobre as aparições, mas pouco, porque falavam
sobre isso principalmente com a mulher e sobrinhas e mais do que
ninguém com sua mulher que lhe fazia perguntas. O que elas diziam era
sempre a mesma coisa, pelo que lhe contava a mulher. Nunca se quiseram
desdizer. Teve-as por isso sempre como sinceras. A mulher disse um dia
à Jacinta, na sua ausência, tendo-lhe contado depois: “Ó Jacinta diz-me
o segredo que eu dou-te o meu cordão”. O Francisco não estava
presente; se estava era a Lúcia. O Francisco nunca ficou em sua casa e
foi lá só uma vez ou duas. A Jacinta disse: “se você me dá aquele santinho,
eu digo-lhe”. A mulher retorquiu-lhe: “Eu não te posso dar, que ele não
é meu, é da minha sobrinha”. A sobrinha disse: “Ó Jacinta mas diz-me o
segredo, que eu dou-te”. Ao que ela respondeu: “Nem que vossemecê
me desse o mundo inteiro”.Uma vez estando a mulher em sua casa a
fazer perguntas à Lúcia, a Jacinta meteu-se na conversa e disse: “Nossa
Senhora vinha dali (e apontou para o nascente) e foi para ali (e apontou
para a direção da Cova da Iria). A mulher perguntou ao Francisco na
Cova da Iria se tinha visto Nossa Senhora e ele disse que não. E
perguntou-lhe se lhe via os pés. E ele disse que não, que só via um
resplendor muito lindo nos pés. Naturalmente referia-se ao princípio da
primeira aparição em que ainda a não via, antes de começar a rezar o
terço.
Um dia, no princípio das aparições, a mulher ia à Cova da Iria e
perguntou ao Francisco o que andava a fazer. Ele disse que andava a
fazer um serradinho e a Lúcia e a Jacinta chegavam-lhe a pedra. Nessa
ocasião a Lúcia disse: “Deu agora um relâmpago e nós temos água”, e
as três crianças meteram pela encosta e quando chegaram à Cova é que
Nossa Senhora lhes apareceu em cima duma azinheira que foi estronchada
pelo povo. A Senhora disse: “Não tenham medo, que eu sou lá de cima,
do Céu”. E foi então que lhes disse que viessem lá todos os meses e que
rezassem o terço. Quase todos os meses José Alves foi lá no dia treze
depois de maio e não viu nada, só ouvia dizer aos outros que viam
coisas no céu. Não ouviu o estrondo em agosto. Ouvia dizer muitas
vezes que aparecia um fumozinho. Nunca lhe apeteceu tirar o chapéu,
mas agora nunca se atreve a passar por lá sem tirar o chapéu e sem
rezar algumas Avé Marias. Deu uma propriedade para a obra e deu-a
com muito gosto e não está arrependido de a ter dado.
Um dia o senhor Prior esteve em sua casa e disse que aquilo ou era