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tendo de se fazer substituir. Dizia a pequena, que a Senhora lhe tinha
dito um segredo que não podia dizer a ninguém e que ela tinha pedido
por alguns doentes e que lhe parece que a Senhora dizia que uns
melhoravam outros não. Neste mês o marido e a Lúcia foram chamados
a Ourém à presença do administrador.
Em treze de agosto a Lúcia saíu pela manhã com as ovelhas e quando
veio já estava a casa cheia de gente. Estava com tenção de ir à Cova da
Iria, como nos meses anteriores, mas o administrador levou-a para
Ourém, tendo sido a notícia da prisão comunicada à mãe pela cunhada
que, indo para a Cova da Iria, ouviu dizer que o administrador tinha
abalado com as crianças. A mãe da Lúcia ficou magoada, mas não se
apoquentou porque sabia que não comiam as crianças, pensando ao
mesmo tempo que se elas mentiam, mereciam algum castigo e que se
diziam a verdade, Nossa Senhora as defenderia. Vieram depois, à tarde
muitas pessoas que procuravam confortá-la, dizendo que iam agora
mais crentes, porque foi o primeiro dia em que apareceram os sinais. Os
irmãos de Jacinta foram de bicicleta observar o que se passava em Ourém
e vieram dizer que tinham visto as crianças a brincar na varanda do
administrador, que os tratava bem. O administrador veio trazê-los à
Fátima no dia quinze num carro e foi pô-las na varanda do senhor Prior.
A mãe da Lúcia, que estava lá, veio com a filha para casa. As crianças
mostraram-se como dantes contentes e prontas para brincar, dizendo
que lhes tinham feito muitas perguntas e que tinha ido um médico examiná-
-las. O administrador disse que o povo estava com uma doença por ter
visto sinais, e o cunhado Marto disse-lhe que então estava muita gente
doente.
No dia dezanove, a Lúcia chegou a casa à noite, trazendo na mão
um raminho de azinheira e disse que Nossa Senhora lhe tinha aparecido
um pouco antes do sol posto, aí pelo meio da tarde, às quatro horas,
tendo estado ao meio-dia com o gado em casa. A mãe pegou no ramo
e notou que cheirava muito bem. O cheiro não se podia comparar com
nenhum outro cheiro. Ela era descrente e ficou um pouco quebrada, um
pouco mais convencida. Disse a filha que a Senhora tinha dito que
continuassem a ir à Cova da Iria e que havia de fazer um milagre em
outubro na Cova da Iria, que os militares haviam de vir da guerra, que
havia de vir Nossa Senhora das Dores e outras coisas mais. Em treze de
setembro veio muita gente. Passou-se tudo como das outras vezes. Em
treze de outubro a mãe foi ao local pela primeira vez, apesar da
recomendação em contrário do senhor Prior. Foram vestir as pequenas
Doc. 80 1923-09-28