302 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
RJKLMNOJPQSTJK UPJ JKVWXWY JY Aljustrel e seguiu para a Missa. Ia
cada vez mais pensativa, julgando que fazia mal em não ir ao local das
aparições, porque podiam bater nas crianças por mentirem, mas não
queria passar pela vergonha a que se expunha se não houvesse nada. As
crianças, logo que tudo acabou, foram ter à Fátima. Quando saíam da
missa já lá estavam, vendo-se muita gente em roda delas. O povo afirmava
que as pessoas que tinham ido à Cova da Iria tinham vindo muito
satisfeitas, julgando que era verdade o que as crianças diziam. Dizia
também o povo que a Lúcia à volta pelo caminho tinha vindo pedindo o
terço, do que a mãe se admirou por não saber onde ela tinha aprendido
a pedir o terço, visto que em casa todos rezavam o terço só
individualmente. Quando mais tarde pude chegar ao pé dela, perguntou-
-lhe o que tinha visto. Respondeu que tinha visto a mesma mulherzinha
do outro dia. Perguntou-lhe o que ela tinha dito. Disse que tinha dito que
continuassem a ir lá e que aprendessem a ler. Esta proposta tornou-a
descrente porque lhe parecia que Nossa Senhora não tinha vindo à terra
para lhe dizer que aprendesse a ler. Tornou-se tudo mais sabido e
chegando a notícia dos acontecimentos mais longe, concorrendo para
isso a festa onde se reunira tanta gente de fora. Veio com a filha para
Aljustrel. Ela era boa e humilde. Vinha com a mesma alegria de antes.
Depois desta aparição a pequena tinha-lhe mostrado três vinténs e meio
em moedas de dez réis que lhe tinham dado. Uma vizinha disse: “Então
a Lúcia faz bem em andar a espalhar estas coisas, porque já lhe deram
cinco tostões em prata, como ela própria declarava”. A mãe perguntou-
-lhe se era verdade. A pequena disse que não tinha dito isso. Ao que a
mãe respondeu:“Pois ela uma mulher de mais de sessenta anos, afirmou
que tu lhe tinhas dito isso e tu negas? Quem faz um cesto faz um cento”.
E bateu-lhe, dando-lhe umas poucas de solhas. Ela chorou e disse
sempre que tinham dado cinco tostões à Jacinta, mas a ela não. E a
Jacinta apareceu realmente com eles. Ficou então convencida de que
era mentira tudo o que as crianças diziam. Foi ter com o senhor Prior
para lhe dizer que o que estavam para averiguar que estava já averiguado,
pois era tudo mentira. E contou-lhe o que se tinha passado, concluindo
que era tudo mentira. O Pároco disse que não batesse na filha, nem
andasse a meter-lhe medo, que ele a apanharia em mentira, se realmente
ela fosse mentirosa. O Pároco já a tinha interrogado uma vez. Em treze
de julho as crianças voltaram à Cova da Iria. Encheu-se-lhe a casa de
povo. Acompanharam-nas pessoas de todas as classes. A mãe da Lúcia
não foi porque o senhor Prior a aconselhava a que não fosse. À volta
encheu-se-lhe também a casa de povo, que fazia à filha muitas perguntas.