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3. Maria Rosa, viúva de António dos Santos, de cinquenta e cinco
anos de idade, natural da Perulheira e batizada no Reguengo do Fetal,
atualmente moradora em Aljustrel, teve sete filhos, morrendo um à
nascença. São todos mais velhos que a Lúcia. No ano anterior ao das
aparições, ouviu a filha Lúcia e outras dizerem que tinham visto noutro
lugar uma pessoa embrulhada num lençol. Não fez caso de tais palavras.
Em mil novecentos e dezassete, no dia treze de maio, a Lúcia não disse
nada em casa do que se tinha passado na Cova da Iria. No dia seguinte,
a mãe ouviu dizer a umas vizinhas que tinham perguntado à filha o que é
que ela tinha visto. Julgou que se referiam ao ano anterior e ficou admirada
de falarem em coisas tão antigas. Elas disseram que tinha sido na véspera
e que o Francisco e a Jacinta tinham dito tudo em casa. A mãe de Lúcia
continuou a não ligar importância ao que se contava. As duas filhas,
Maria dos Anjos e Carolina, interrogaram a Lúcia sobre os
acontecimentos da véspera e foram para casa e disseram que realmente
a irmã tinha visto alguma coisa. Por fim, a mãe perguntou-lhe também o
que vira. Ela disse que via uma mulherzinha muito bonita; que o vestido
que trazia era todo branco, que à pergunta” – “de onde era” – apontara
para o Céu dizendo que era de lá, e que tendo-lhe perguntado se não
iam para o Céu o Francisco, a Jacinta e ela Lúcia, a aparição respondeu
que sim. A Mãe, ao ouvir estas palavras exclamou: “Que felizes que
vocês são!”. Disse a Senhora que queria que fossem lá seis meses a fio
e que por fim diria o que queria. A mãe abstinha-se de fazer muitas
perguntas à pequena. Resolveu ir para a Cova da Iria, se visse que ela
voltava lá, para a observar escondida sem que ela visse, julgando que
não iria mais ninguém. Mas logo se ajuntou gente no dia treze de junho
para a acompanhar e por isso não foi. Nesse dia, entre as pessoas que
a acompanhavam estavam duas mulheres de Boleiros. Deixou ir a filha.
Vestiu-a melhor porque ia dali para a festa de Santo António na igreja
paroquial. A mãe foi para a festa para ouvir a missa. No caminho
encontrou um grupo de cinco ou seis pessoas que iam de Fátima para
Aljustrel. Julgando que queriam ir à festa, disse-lhes: “Os senhores estão
enganados, a festa é para ali”. “Nós não vimos para a festa”, retorquiram
eles, “vimos em cata de três crianças que dizem ter visto Nossa Senhora”.
Admirou-se da resposta e perguntou-lhes de onde eram. Disseram que
eram dos Carrascos. Não lhes confessou que era a mãe de uma das
crianças. Eles perguntaram onde estavam as crianças.
Doc. 80 1923-09-28