300 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
r/012/34541 67/ 58r/34/99/ 5 :/r. Ela e outras pessoas interrogaram a
Jacinta e o Francisco. A pequena era mais interrogada. Uma vez foram
a casa deles umas senhoras muito ricas e ofereceram à Jacinta várias
jóias que traziam para ela lhes dizer o segredo. A Jacinta disse que por
coisa nenhuma o diria, nem que lhe dessem o mundo inteiro. Mesmo
durante a última doença a mãe lhe dizia: “Eu desprezo-te e não quero
saber de ti se não me disseres o segredo”. E a filha replicava que não o
podia dizer. “Ao menos hás de me dizer se é bom ou mau”, insistia a
mãe. Ela respondia que era bom para quem quisesse acreditar. “Acreditar
no quê?”, perguntava a mãe. “Em Deus”, concluía a filha. E acrescentava
que era mau para quem não quisesse acreditar.
Em treze de outubro a mãe foi de novo à Cova da Iria e ficou ao pé
das crianças. A Jacinta, como a mãe ouviu, depois de dizerem que Nossa
Senhora já tinha aparecido, acotovelou a Lúcia e disse-lhe: “Fala-lhe
Lúcia, que Nossa Senhora já lá está”. A Lúcia tomou a respiração por
duas vezes, como pessoa a quem faltasse o ar. Em seguida disse: “Que
é que me quereis hoje?”. Daí a poucos momentos, a Lúcia disse mais:
“Queria que me melhorasse os doentes.” Depois declarou: “Nossa
Senhora disse que os não podia melhorar todos, que eram muito maus”.
Passados alguns momentos levantou-se muito rapidamente e disse: “Se
a quiserem ver voltem-se para o nascente”. Mas logo a seguir exclamou:
“Já a não veem”. Já em casa a Jacinta disse à mãe: “Ó minha mãe, eu vi-
-a entrar no Céu”, e acrescentou que se lhe representara quando a viu
entrar no Céu, que os pés se lhe entalavam. O Francisco e a Jacinta por
ocasião da pneumónica adoeceram e morreram em consequência dessa
doença. O Francisco sabia que ia morrer e antes de morrer disse: “Ó
minha mãe, olhe que luz tão bonita ali está na nossa janela”. E depois
afirmou que já a não via. Deu um ar de riso e ficou-se, que nunca mais
respirou. Foi sempre firme em afirmar, mesmo durante a doença e próximo
da morte, que era verdade tudo quanto tinha dito a respeito das aparições.
Alguns dias antes da morte, disse que tinha pena de morrer sem receber
Nosso Senhor, porque nunca tinha comungado. Fez a primeira comunhão
por viático na véspera da morte. A Jacinta já tinha feito a primeira
comunhão, no ano seguinte ao das aparições e comungou depois várias
vezes. Morreu em Lisboa no dia 20 (vinte) de fevereiro de mil novecentos
e vinte.
A testemunha não sabe escrever.
A rogo da testemunha Eduardo dos Santos
Doutor Padre Manuel Nunes Formigão Júnior, relator
Doutor Padre Manuel Marques dos Santos, promotor da fé