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dezanove era um domingo. A Lúcia andou a guardar o gado em
companhia dos primos, Francisco e João, ao pé dos Valinhos. Tinham
vindo pouco antes da Missa. A Jacinta ficou em casa para a mãe lhe
tratar da limpeza da cabeça, indo o irmão João com as ovelhas em vez
dela. Passado um bocado, o João apareceu em casa em procura da
Jacinta, dizendo que a Lúcia o tinha mandado ir lá para a levar. A mãe
perguntou: “Então para que querem lá a Jacinta? Ainda te parecem
poucos os que lá andam para a brincadeira? O João explicou então: “A
Lúcia deu-me um vintém para a vir chamar e que não dissesse à minha
mãe para o que era”. A mãe agarrou no João e disse: – “Ou tu me hás de
dizer para que é ou também não te deixo ir a ti”. Então o pequeno
declarou que a Lúcia lhe dissera que já via os sinais no Céu, que Nossa
Senhora também aparecia nesse dia e que queria que a Jacinta também
lá estivesse. A mãe disse ao João: “Vai chamar a Jacinta que está na
casa da madrinha e venham por aqui”. A mãe fez essa recomendação
porque queria ir com os filhos para ver o que diriam ou fariam. Mas eles
foram por outro caminho. Como tardassem, foi à sua procura, a casa
da madrinha, onde perguntou pelo seu paradeiro. A madrinha respondeu:
“O teu João esteve aí, disse uma espécie de segredo à Jacinta e abalaram
a correr por a serventia da estrada dos talhos acima, direitos aos Valinhos.
Olímpia de Jesus, que desejava ir ter com eles, esperou um bocado e
por fim pôs-se a caminho. Mas então já vinham de regresso a casa o
Francisco e a Jacinta, dizendo que Nossa Senhora tinha tornado a
aparecer, mas que o João não a tinha visto. Quando o João veio à noite,
a mãe perguntou se tinha visto alguma coisa. Ele respondeu que viu a
Lúcia, o Francisco e a Jacinta de joelhos, ao pé da azinheira, ouviu a
Lúcia falar e quando a Lúcia disse: – “Ela já lá vai, ó Jacinta” – ouviu
uma rugida como de um foguete, mas não viu nada. E acrescentava que
até lhe doía os olhos de olhar para o ar. Contava então onze anos de
idade.
Em treze de setembro, depois de as crianças partirem para a Cova
da Iria, foi chamar a cunhada para irem ambas em segredo, isto é, de
maneira que ninguém as visse. Chegaram e deixaram-se ficar na encosta,
não indo para o pé das crianças para não serem vistas. Quando o povo
gritou que via sinais, não perceberam o que ele dizia, mas pareceu-lhes
ver um fumozinho subir do meio do povo ao pé da azinheira. Logo que
notaram que as crianças se vinham embora e que o povo as seguia,
disse a mãe da Jacinta: “Elas estão salvas, vamo-nos embora”, voltando
para suas casas. Parece-lhe ter ouvido à Lúcia que a Senhora lhe tinha
Doc. 80 1923-09-28