298 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
mm . Aconteceu por várias vezes serem interrogados
e oferecerem-lhes riquezas para o dizerem e eles respondiam que nem
que lhes oferecessem o mundo inteiro o poderiam dizer. Brincavam
exatamente como antes. Não era costume até então rezarem o terço em
família. Não notavam diferença nos pequenos para melhor depois das
aparições. O que faziam a mais era rezar o terço. Mostraram-se mais
verdadeiros daí em diante, por exemplo, contando o que fazia o gado.
Pediam licença para rezar o terço e rezavam-no todos os dias e à noite
rezavam-no sempre, embora não raro tivessem rezado duas e três vezes
o terço quando andavam com o gado. Pela manhã benziam-se e rezavam
uma Avé Maria ou um Padre Nosso ao Anjo da Guarda e partiam com
o gado.
Em treze de julho foram lá e contaram que Nossa Senhora tinha
aparecido como nos meses anteriores. Em treze de agosto o
Administrador do Concelho chegou a casa de Manuel Marto de manhã
cedo e a mulher não o conhecia. Ele pediu muito que preparassem os
pequenos que andavam com o gado, para irem para a Cova da Iria.
Olímpia de Jesus dizia que era muito cedo, que andavam com o gado e
que não costumavam ir para lá senão ao meio-dia. O administrador
mostrava-se muito aflito, porque queria que os videntes regressassem
mais cedo. Chegaram quase às horas do costume e ainda não queriam
ir. A mãe tinha-os mandado chamar. A Lúcia declarou que ainda era
muito cedo. O administrador disse à Lúcia que haviam de vir à Fátima a
casa do senhor Prior para serem interrogados e que dali seguiriam no
carro para a Cova da Iria. E assim os enganou. As três crianças foram
em companhia dos pais. As mães ficaram em casa. A mãe da Jacinta
soube no caminho da Cova da Iria, para onde se dirigia, que o
Administrador tinha levado as crianças para Ourém. Voltou então para
trás e foi dar parte do sucedido à cunhada, mãe da Lúcia. “Ó Maria,
disse ela, então não levaram os cachopos para a Aldeia!” Ela sorriu-se
e disse: “Então não andem a mentir!”. “Ai, o que lhes farão por lá!”
exclamou a mãe da Jacinta. – “Não tenhas medo que não os comem
por lá!”, disse a mãe de Lúcia. Em casa da cunhada quando ouviram o
povo a gritar, disse: “O que irá por lá?” A mãe da Lúcia olhou para o sol
e disse: “O sol está diferente”. Veio o povo e contou que se tinham visto
sinais no sol e no céu.
As crianças chegaram no dia quinze de agosto de manhã em que o
administrador as veio trazer. Ele disse às crianças, na presença da mãe
da Jacinta: – “Agora podem ir à Cova da Iria quantas vezes quiserem”.
Disse o administrador ao pai da Jacinta que “eles diziam ver e ouvir