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algumas são más”. Declarou ainda que a Senhora tinha dito que rezassem
todos o terço e que a guerra em breve ia acabar. Estavam então as
crianças de joelhos, a Lúcia levantou-se rapidamente, ficando o vestido
em balão, e disse apontando: “Olhem para acolá, se a querem ver” – e
acrescentou logo: “Já não vão a tempo”. Ela estava voltada quase ao
poente e voltou-se para o nascente a indicar a Senhora que se retirava.
Fazia muita calma e logo depois o tempo tornou-se fresco. Logo que
elas se levantaram, muitas pessoas fizeram perguntas, tiraram raminhos
da carrasqueira e interrogaram as crianças. O pai pegou na Jacinta ao
colo para atravessar mais facilmente por entre a multidão. Ela disse ter
visto outra vez Nossa Senhora. Passados dias, a filha mais velha, Florinda,
disse que a Jacinta tinha dito para a Lúcia: “Fala-lhe, Lúcia, que ela já
está a falar”. Em treze de agosto, foi à fazenda buscar milho com a ideia
de lá ir ao local à hora própria, sabendo, quando já estava na eira, pela
Florinda3, que o administrador tinha chegado entretanto a sua casa. Ainda
não eram dez horas. Voltou logo para casa e encontrou o administrador
e um padre4 que não conhecia. O administrador perguntou: “Então, senhor
Marto, sabe porque cá venho hoje? Quero lá ir acima à Cova da Iria,
ao Milagre, quero ir ver. Sou como S. Tomé, ver e crer”. Manuel Marto
disse: “Faz bem, senhor administrador”. Este declarou que levava as
crianças no seu carro. Elas ainda andavam com o gado. Marto pediu a
sua mulher que as chamasse, porque eram horas. Não chegou a chamá-
-las, mas elas vieram com o gado. A Lúcia sabendo que o administrador
estava em casa dos tios, dirigiu-se logo para lá, e ele, assim que a viu,
disse-lhe que as levava de carro, ao que ela retorquiu que não iam de
carro. A pequena voltou a casa e depois veio com o pai. Ouviu-se nessa
ocasião falar num segredo. Como a estrada não estava feita, o carro
ficou à espera numa encruzilhada. O administrador disse que então os
esperava na Fátima para lhes fazer umas perguntas em casa do Senhor
Prior.
Dirigiram-se os pais das três crianças a casa do Senhor Prior, não
estando ainda lá o administrador, que chegou pouco depois. Ficaram
todos na varanda. Só a Lúcia foi chamada lá dentro para ser interrogada
pelo senhor Prior em presença do administrador.
3 Florinda de Jesus, irmã de Francisco e Jacinta. Nasceu 3 de agosto de 1902 e
faleceu a 20 de maio de 1920, vítima da pneumónica.
4 Pe. Manuel Carreira Poças.
Doc. 80 1923-09-28