292 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
¡ ¢ £¤¥ ¤ ¤ ¦ ¡ ¤ ¦ § ¨ ©¤ª ¤¨¢ « ¤ ¤¥ ¡« « ¤¢ ¤¬ ¤£¡ ® ¨ ¢ ¤
quando chegou ao lugar, de regresso do mercado da Batalha e só então
soube dos acontecimentos desse dia na Cova da Iria. Em casa
encontravam-se um cunhado e um sobrinho e todos ou quase todos os
filhos, incluindo o Francisco e a Jacinta, que já tinham contado à Mãe o
que se havia passado. Estavam a cear quando a mãe perguntou
novamente à Jacinta o que tinha presenciado.
A pequena disse que Nossa Senhora lhes tinha aparecido, que antes
tinham visto um relâmpago, que recearam estivesse iminente uma
trovoada ou chovesse, e já se preparavam para se irem embora, indo
até tocar o gado para esse fim. O Francisco interrogado igualmente
mais uma vez pela Mãe, disse que também tinha visto a Senhora, que a
princípio a não vira e que a Senhora tinha dito que havia de aparecer
seis meses a seguir. Em junho a Jacinta pediu à Mãe que não fosse à
feira dos treze nas Pedreiras, a uma légua de Porto de Mós, para poder
ir ver Nossa Senhora. A Mãe ao ouvir este pedido, disse-lhe: “Ah! tu
não vais lá, Nossa Senhora não te aparece”. Ao que a pequena retorquiu:
– “Aparece sim, Nossa Senhora disse que aparecia e por isso aparece.”
A Mãe replicou: “Então não vais à festa de Santo António?” “Não,
confirmou a pequena, Nossa Senhora é mais bonita que Santo António”.
Quando chegaram da feira, onde foram apesar do pedido da filha, era
já noite e antes de chegarem a casa ouviram dizer que os pequenos
tinham ido ao local, e tinham dito que viram Nossa Senhora. Havia
pessoas que se admiravam que as deixassem ir sozinhas. Em treze de
julho os pais foram também à Cova da Iria, indo as crianças adiante.
Um indivíduo da freguesia, de nome Matias, barbeiro2, ao ver o pai das
crianças, chamou-o para junto da azinheira onde já estava a mulher. Os
três videntes iam sempre juntos. A princípio conservaram-se de pé,
depois ajoelharam, tendo a Lúcia mandado fechar os chapéus que
estavam abertos por causa do sol. O povo estava na sua maior parte
por trás dos videntes. E estes num dado momento levantaram-se e depois
tornaram a ajoelhar-se. Ouviram uma voz vinda do local ao pé da
carrasqueira que disse: – “Que me quereis hoje?” Esperou um momento
e depois disse: “Então não me quereis hoje nada?” A Lúcia disse, o que
o pai ouviu: “Eu o que queria – ai! Nossa Senhora!”, e pediu a cura e a
conversão de diversas pessoas, não se recordando o pai o nome delas.
2 Manuel Rodrigues Matias. Era considerado um homem entendido na cura de
maleitas. Era o encarregado do Posto do Registo Civil, que funcionava em sua
casa, na Amoreira.