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E vós ó pais! Chefes de família que tanto estremeceis os vossos
entes queridos, arrancai-os às garras impiedosas dos reacionários que
lhe torcem o cérebro e matam a razão!
Escutai-nos todos, homens, mulheres e crianças; escutai: a Liberdade
estorce-se em convulsões horríveis... vibra no espaço, repercutindo-se
de serra em serra, um clamor angustioso pedindo socorro!...É a
Liberdade que tomba aniquilada! É a Liberdade que morre nas garras
cruentas do jesuitismo!
Corramos a salvá-la! Que nem um só de vós que adore a Liberdade,
se detenha... porque defender a Liberdade é defender a vida... porque
a vida de nada serve quando a Liberdade falte!...
Vamos ao combate, povo, vamos sem demora, que a Liberdade
morre...
O que é essa ridícula manifestação da aparição da Fátima senão um
pretexto para impunemente perante os nossos olhos espantados com
tanto atrevimento, os padres, os jesuítas da casaca e chapéu fino, toda
a corte de reacionários, fazerem uma parada das suas forças?!
O ataque à República, à Liberdade, é bem claro. Pois não dizem
eles nos seus pasquins infames próprios da sentina, que nós os livre
pensadores, é que somos os traidores, os inimigos da República?!...
Que todo o ser que vive impenitente e morre recusando os sacramentos
da igreja católica, vive como um bruto e morre como um cão?!...
Somos brutos, somos cães, porque, apesar dos nossos exemplos de
virtudes cívicas, de bom comportamento social, não acreditamos na
comédia da Fátima, nem em outras comédias semelhantes!
Povo, tens sentimento religioso? És crente?! Pois bem, guarda a tua
crença, a tua fé, – que nós respeitamos, – mas não te deixes explorar!
Não deixes violentar a tua consciência religiosa por esses negociantes
da religião!
O Milagre da Fátima, povo, é uma ridícula mentira, é uma comédia,
não é religião!
Vamos, liberais! Ergamo-nos todos desta apatia criminosa, e sem
demora combatamos, não o sentimento religioso do povo português,
povo tão bom, raça de heróis, mas combatamos a exploração que o
clericalismo está fazendo ao povo, impingindo-lhe por bom preço,
imagens da santa – de marca registada para evitar a concorrência de
outros vampiros! – ó descaramento! – e levando-o pela sugestão a
chafurdar e a beber loucamente, a água milagrosa, água porca, imunda,
cheia de podridão, de pus e de micróbios pestíferos que as carnes
chagosas de doentes ali deixam depositadas nas lavagens!...
Doc. 78 1923-06-01