286 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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Portugal, ante os quais as nossas almas joelham religiosamente; –
rompendo ousadamente os ares com a certeza matemática de quem
sabe o caminho a percorrer para ir de um ponto a outro ponto
determinado; voando pelo azul imenso tão seguros da sua rota, como
qualquer de nós caminhando sobre a terra, mostraram-nos que a ciência
não é uma palavra vã!
É mais real e positivo o poder do seu sextante prodigioso, fruto de
imensas lucubrações científicas, que a cruz de Cristo pintada no seu
aparelho, que nem sequer os livrou da queda por falta de gasolina em
pleno mar ao sabor das vagas...
Essa viagem extraordinária, cujas peripécias nos comoveram até às
lágrimas, foi a mais retumbante vitória científica dos últimos tempos! Foi
acima de tudo a afirmação potente da ciência!
Façamos portanto da ciência a nossa religião, e a religião científica é
a Liberdade do Pensamento!
Ser Livre Pensador é amar a ciência imortal esperando ansiosamente
que ela nos revele a verdade dos grandes enigmas do Universo! E só ela
os poderá revelar!...
Povo! Lutemos sempre!
Da vitória do progresso, da ciência, da Liberdade, do Livre
Pensamento, resultará a felicidade humana, a alegria, o amor, a
fraternidade, o respeito pelas mulheres, a veneração pelas mães, a
adoração pelas criancinhas, o carinho para os velhos, a proteção aos
doentes, aos infelizes, aos torturados...
Da vitória da reação, do clericalismo, do jesuitismo negro, torvo e
feroz, resultará: a forca, os autos de fé com os seus destroços humanos,
a perseguição, o exílio, o roubo, o incêndio, o desfloramento de mulheres,
a matança das crianças, a tortura monstruosa de todos os espíritos livres!...
A história de tantos crimes praticados em nome de Deus horroriza-
-nos! A Inquisição trucidando, esfarrapando, queimando implacavelmente
a carne de tantas vítimas, é ainda hoje, em pleno século XX um espetro
sinistro a perseguir-nos!...
Ó mães santíssimas! Ó santas mães piedosas que tanto amais as
meigas criancinhas! Tende compaixão dos vossos lindos filhinhos, frutos
sagrados dos seus ventres benditos: Amai a Liberdade!...
Amai a Liberdade, ó mães extremosas, santas imaculadas do nosso
altar! Suplicamos por eles... pelos vossos filhos, que são a luz dos vossos
olhos cândidos, a vida da vossa vida... pelas criancinhas... por todas as
crianças, mimosos botões de rosa que o retrocesso açoita furiosamente,
– amai a Liberdade!...