270 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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1922, organizou-se uma grandiosa procissão que fez o percurso de mais
de dois quilómetros, desde a igreja paroquial até ao sítio das aparições.
Segundo os cálculos mais aproximados, feitos por oficiais do estado
maior, que estavam presentes, concorreram a Fátima nesse dia cerca de
setenta mil pessoas. Todas as manifestações tiveram sempre um caráter
puramente religioso e efetuaram-se sempre com a maior ordem e respeito.
V
O ATENTADO DE FÁTIMA
O selo das obras de Deus é a perseguição. Esse selo não falta à obra
de Fátima.
Tão formidável, tão sistemática e tão persistente tem sido a oposição
promovida pelos emissários de Satanás, que muitas pessoas, insensíveis
aos fenómenos e às curas extraordinárias, se renderam, finalmente
convencidas, perante a força irrecusável desse argumento negativo.
Desde a prisão dos videntes, a 13 de agosto de 1917, até ao nefando
atentado bombista contra a capela comemorativa das aparições, são
inúmeras as manifestações, aliás ineficazes e até contraproducentes, da
sanha infernal contra a obra de Fátima. Seria longa e não caberia nos
estreitos limites deste opúsculo a narração pormenorizada de todas essas
manifestações.
Limitar-nos-emos, pois, a dizer apenas duas palavras acerca do último
atentado. Foi cometido no dia 6 de março de 1922, alta madrugada.
O receio das explosões da cólera popular levou os criminosos a
executar o seu horrível desígnio com o favor das sombras da noite.
Recaem fundadas suspeitas sobre alguns indivíduos de Lisboa, Santarém
e Vila Nova de Ourém, indigitados como promotores, executores e
cúmplices do nefando atentado e cujos nomes se citam. Os desgraçados
arrombaram a porta da capela e a golpes de alvião abriram quatro
buracos nas paredes, a distâncias iguais, dois palmos acima do pavimento,
introduzindo em cada um deles uma bomba de grande potência. Essas
quatro bombas rebentaram, comunicando o fogo ao madeiramento do
teto e fazendo-o abater. Uma quinta bomba foi colocada na cova, em
que se encontra a raíz da azinheira sobre a qual, no dizer dos videntes,
pousavam os pés da Aparição, mas não explodiu. As paredes da capela,
embora bastante danificadas, ficaram de pé.