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a trataram sem obter nenhum resultado satisfatório. Alguns deles
afirmavam que era um caso de meningite cerébro-espinal. Outros diziam
francamente que não sabiam diagnosticar aquela estranha doença que
se mostrava rebelde a todo o tratamento. A enferma era alimentada à
força, pois recusava toda a espécie de comida. Tinha contínuos acessos
de fúria. Julgando que a queriam levar a Fátima, deixou-se conduzir,
enganada, até Lisboa, para onde de modo nenhum consentia em partir.
Aí foi confiada aos cuidados do Dr. Egas Moniz, no Hospital de Santa
Marta. Debalde aquele distinto especialista a submeteu a diversos
tratamentos. Os resultados foram nulos.
Por último os drs. Júlio de Matos, Sobral Cid e Júlio Dinis fizeram-
-lhe uma conferência médica. A opinião concorde dos três clinicos, em
extremo dolorosa para a família, foi que a enferma nunca se curaria ou,
se a cura fosse possível, apenas se curaria passados muitos anos.
Entretanto a mãe foi várias vezes a pé a Fátima com algumas meninas
amigas da filha a fim de implorar a sua cura. Fazia toda a jornada sempre
descalça, o que representava para ela um grande sacrifício, porque não
estava habituada a andar descalça.
Com extraordinária surpresa dos médicos assistentes, a enferma
recuperou o uso da razão, quando menos se esperava, e pôde, desde
logo, saír do hospital e regressar a sua casa em Torres Novas,
perfeitamente boa de saúde, não tendo desde então até hoje sentido
nenhum incómodo.
– Francisco José Ferreira, de 50 anos, casado com Maria da Luz
Ferreira, do Alqueidão, Torres Novas, tinha as pernas chagadas num
estado tão lastimoso que inspirava a quem as via um sentimento misto
de dó e de horror.
Atribuia-se o seu padecimento, que era já muito antigo, a caneladas
que tinha dado quando ainda era criança. Curou-se completamente,
depois de duas novenas feitas pela mulher na igreja da povoação e
acompanhadas por ele em espírito, com loções de água misturada com
terra do local das aparições.
– Delfina de Jesus Presume, de 30 anos, solteira, filha de Manuel
Lopes Presume e Joaquina de Jesus Presume, do Alqueidão, de Torres
Novas, sofria de uma doença desconhecida, gravíssima, horrorosa. Foi
tratada sem resultado satisfatório pelo Dr. Augusto Mendes, de Torres
Novas e pelo Dr. Augusto Correia, de Tomar. Fez uma novena de
comunhões, aplicando todos os dias água com terra de Fátima. No fim
da novena achou-se curada.
Doc. 73 1923-03-a.18