261
Âà ÄÅÆ Çà ÈÃ É Ê ÅËÌ Æ Âà ÍÌ ÎÉÍ ÃÏ ÆÐ Ñ ÆÉ ÅÒÊÉ Ó Ô ÄÕÍ ÆÉ Ö ÆÇ Í ÄÌ Æ ÂÊ ×à ÎÍ ÊÓ
pendia-lhe, rematado por uma cruz de ouro, um lindo rosário, cujas
contas, brancas de arminho, pareciam pérolas. De todo o seu vulto,
circundado de um esplendor mais brilhante que o do sol, irradiavam
feixes de luz, especialmente do rosto, de uma formosura impossível de
descrever e incomparavelmente superior a qualquer beleza humana.
Entre a Aparição e a Lúcia estabeleceu-se um diálogo, que durou
cerca de dez minutos.
A Jacinta viu a Aparição e ouvia distintamente as palavras que ela
pronunciava, dirigindo-se à Lúcia, mas nunca lhe falou nem tão pouco a
Aparição lhe dirigiu a palavra. O Francisco só via a Aparição, não
ouvindo nunca o que ela dizia à Lúcia, apesar de se encontrar à mesma
distância e possuir excelente ouvido.
A Aparição convidou nesse dia os três pastorinhos a voltarem todos
os meses no dia 13, durante seis meses consecutivos, àquele local,
vulgarmente conhecido pelo nome de Cova da Iria e situado a pouco
mais de dois quilómetros da igreja paroquial de Fátima, ao lado da
estrada distrital de Vila Nova de Ourém à Batalha. A princípio ninguém
prestava crédito às afirmações das crianças, que eram apodadas de
mentirosas por toda a gente, mesmo pelas pessoas de família.
A 13 de junho umas cinquenta pessoas acompanharam os videntes
ao local das aparições, na esperança de presenciarem coisas
extraordinárias. Nos meses seguintes o concurso de devotos e curiosos
aumentou consideravelmente, reunindo-se talvez cinco mil pessoas em
julho, dezoito mil em agosto e trinta mil em setembro junto da azinheira
sagrada.
No momento em que se verificava a aparição, inúmeros sinais
misteriosos, de que muitas pessoas fidedignas dão testemunho, se
sucediam uns após outros na atmosfera e no firmamento.
A Aparição recomendou insistentemente que todos fizessem
penitência e rezassem o terço do Rosário. Comunicou às crianças um
segredo, que não podiam revelar a ninguém. Prometeu-lhes o Céu.
Pediu que naquele local se erigisse uma capela em sua honra e
declarou que no dia 13 de outubro havia de fazer um milagre para que
todo o povo acreditasse que ela realmente tinha ali aparecido.
Em 13 de agosto, momentos antes da hora da aparição, as crianças
foram ardilosamente raptadas pelo administrador do concelho, que as
reteve em sua casa durante dois dias, ameaçando-as de morte se não se
desdissessem ou se pelo menos não revelassem o segredo que a Aparição
lhes tinha confiado.
Doc. 73 1923-03-a.18