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¡¢ £¤¥ ¡¦ ¦¦§ ¢¦§ ¨¤©ª¡ «¢¬ros e Balbino do Rego. Devido
ao muito frio constipei-me e, fosse por isso ou por outra causa, no dia
seguinte estava ardendo em febre e com uma pneumonia.
É chamado o médico de serviço e, depois de me observar bem, diz
que estou irremediavelmente perdido. Tenho os pulmões ambos atacados;
a febre está sempre acima de 40 graus. Mandam-me aplicar ventosas,
umas após outras, mas era preciso tomar remédios que combatessem a
febre e isso é impossivel porque no estômago não pode entrar nada. A
operação era das mais melindrosas e por conseguinte só podia esperar
a morte. Estava quase sempre variado mas, nos pequenos intervalos
que tinha lucidez, pensava na minha situação e via que era crítica. Vejo
que morro num hospital sem o conforto que os ministros duma religião
levam às almas nas negras e atribuladas horas; sem ver à cabeceira do
meu leito uma mãe, irmãos, irmãs, pessoas de família e amigos que me
animem e fortaleçam. Antes que baixe ao coval de um cemitério, quero
ainda escrever a minha mãe dizendo-lhe que morro, que peça e mande
pedir por mim, que ali não tenho quem o faça.
Esse pedido foi feito pelo reverendo pároco de Santa Catarina parece-
-me que em dia de Natal à missa das Almas. Do mundo não posso
esperar nada e então vem-me à imaginação tudo o que se passou nessa
Cova bendita, dessa Virgem que disse ser a Consoladora dos aflitos.
Bem sei que tenho de morrer mas é triste não ter a consolação de ver
nesse momento cruciante e transe doloroso, em volta de meu leito, quem
ore e dê conforto. Então animado com uma grande fé peço a Nossa
Senhora do Rosário da Fátima que, se possível fosse, eu ainda poder
um dia ir à minha terra ver minha família, faria uma festa em sua honra e
mandaria pregar um sermão, indo ao local rezar um terço. No dia seguinte
já não tinha febre e passados dois dias estava completamente curado
dos pulmões. Aos médicos parecia um sonho, quando me julgavam
morto aparecia-lhes curado. Foi a medicina? Não, porque não tomei
remédios. Então uma pneumonia e febre a 40 graus cura-se em três
dias, e por acaso? Já escaparia alguém operado do estômago que fosse
atacado por uma pneumonia? Que responda quem souber.
Poderão dizer que melhorava da mesma forma, mas como tenho a
certeza que só escapei por meio dum grande milagre e da grande fé
com que me apeguei com Nossa Senhora, hei de dizer isto sempre e em
toda a parte, custe o que custar. Essa promessa mandei encarregar o sr.
prior de Santa Catarina de a cumprir assim como pregou o sermão em
ação de graças na dita festa na pequena ermida da Chainça em Setembro
de 1919. A Cova da Iria é para mim um cantinho do Céu a quem devo
Doc. 72 1922-11-23