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com a vista alguém que se eleva e como extasiada vai indicando o rumo
que ela leva até se perder no Infinito. Eu como descrente quero negar
mesmo até tudo que estou vendo, mas contemplando a atmosfera, vejo
que tudo se encontra turvado. Parece que duas correntes de ar opostas
se vêm encontrar ali levantando uma nuvem de poeira. O tempo escurece
e parece-me estar ouvindo um trovão subterrâneo. Sinto que a
temperatura é quase sobrenatural e tenho medo de estar ali. Regresso a
casa pensando em tal fenómeno e cogitando uma maneira de o interpretar.
Minha mãe pergunta-me o que vi, ao que respondi que não sei, mas
tenho a certeza que, embora haja mistério, não vem a ser bom. Não
quero crer e condeno em toda a parte tal aparição.
No dia 13 de julho há muito mais concorrência.
Dão-se os mesmos fenómenos que no mês passado. A fama alastra
e agora o local é um dos grandes centros frequentados por pessoas de
todas as classes.
Em 13 de agosto aumenta o povo e quem contempla a Cova, que
forma uma bacia dos pequenos montes ou outeiros que a cercam, vê um
espetáculo tocante.
De toda a parte chegam peregrinos entoando descantes sentindo-
-nos viver umas horas felizes. Já passa da hora e as crianças não
aparecem; o povo espera impaciente quando corre uma voz por cima
daquela massa de povo que o sr. administrador de Ourém as tinha levado.
Ouvem-se protestos e, quando vão começar a debandar, ouve-se uma
gritaria e uma onda de cabeças volve-se para o céu afirmando cada um
o que está vendo. Eu então olho para o céu e vejo as nuvens mudando
de cores e correndo em diversos sentidos.
O dia 13 de setembro amanheceu sem uma nuvem no horizonte. Um
sol abrasador nos faz procurar a sombra. A Lúcia reza o terço à hora
indicada. Segue-se a conversação com a dita Senhora e assim que diz:
lá vai ela, o sol escurece a pontos de se ver a lua e as estrelas que
circundam o firmamento. O calor diminui e uma aragem nos vem
mimosear a fronte. Então veem-se lá muito em cima, cortando os ares
do Oriente para o Ocidente, uns corpos muito pequeninos, brancos
como a neve. Há quem afirme serem pombas mas vê-se perfeitamente
que não são aves. Na encosta do lado do nascente estava o reverendo
Padre sr. Joaquim Ferreira Gonçalves das Neves, pároco de Santa
Catarina da Serra, e eu como vejo que talvez esteja olhando sem ver
nada, dirijo--me a ele e pergunto-lhe o que vê, respondendo-me que
não vê nada. Indico-lhe uma direção e imediatamente disse que já está
Doc. 72 1922-11-23