254 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
Doc. 72
1922-11-23, Lisboa
ijklmnjopl qj rostml António Marques, sobre os acontecimentos de Fátima,
enviado ao Promotor da Fé da Comissão Canónica.
Publ.: DCF, II - Doc. A
“... Sr. Promotor da Fé
Em maio de 1917 correu um boato que três crianças – pastores de
gado – estando recitando o terço em coro no sítio da Cova da Iria,
freguesia de Fátima, lhes tinha aparecido uma senhora vestida de branco
dizendo-lhes que não tivessem medo que era Nossa Senhora do Rosário;
que viessem ali todos os meses no dia 13 rezar o terço que lhes apareceria
sempre, e que no dia 13 de outubro lhes diria um segredo. Esta voz
correu logo pelos lugarejos em redor mas ninguém podia acreditar,
parecendo quase impossível que a Virgem baixasse dos céus à terra e
viesse aparecer a três rudes crianças nas chãs ásperas a arenosas da
Serra de Aire. É chegado o dia 13 de junho e eu desejoso por saber o
que se passa encaminho-me para o local a fim de me certificar do que
há de verdade.
Eram 11 e 3/4 quando chego à dita Cova e encontro ali na expetativa
umas 12 pessoas. Dirijo-me a alguém e pergunto: Então onde estão
essas crianças que veem aqui Nossa Senhora? E uma voz me responde:
espere que ainda não é tarde. Passados momentos, eis aí vêm elas,
acompanhadas dum pequeno grupo. Ajoelham-se junto da célebre
azinheirinha e principiam a rezar o terço. Conto as pessoas e vejo que
estão presentes umas 40. Terminada a ladainha, a Lúcia diz: “Lá vem
Ela”, e manda ajoelhar. Principia interrogando e respondendo a alguém
que os meus olhos não veem nem os ouvidos ouvem. É a segunda
aparição e mais uma vez ali afirma perante o reduzido número de
espetadores – porque ainda se lhes não pode chamar crentes – que Ela
lhe está dizendo que vem ali todos os meses e que a 13 de outubro será
a última vez e então dirá um segredo.
1 Nasceu a 9 de outubro de 1896, na Chainça. Residia em Lisboa, onde faleceu, a
24 de outubro de 1983.