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por geografias mais distantes. Para tal contribuiu certamente a difusão
do livro de Ludwig Fischer. Segundo o documento de aprovação da
obra pelo bispo de Leiria, “este entusiasmo transbordou da sua Alemanha
e espalhou-se pela Holanda, Checoslováquia, Jugoslávia, Roménia, etc“
(doc. 119, p. 428). Também o jesuíta Luís Gonzaga Cabral reconhecia
a importância do livro para a difusão de Fátima, quer pela qualidade da
obra, quer pelo facto “de ser escrito por um estrangeiro, que se dirige
aos seus compatriotas alemães, propondo-lhes Portugal como modelo“
(doc. 122, p. 508). A dita conferência de Luís Gonzaga da Fonseca
advertia que o nome Fátima “mais ou menos estropiado conhece-se em
todas as nações da Europa, e fora dela, nos Açores e na Madeira – em
Angola e Moçambique – nas Índias e na China, nos Estados Unidos e
no Brasil” (doc. 130, p. 531) Os territórios que eram ou tinha sido
portugueses permitiam que a devoção chegasse a outros continentes.
Do Lubango, Angola, surge-nos um testemunho de 1929, que conta a
difusão do jornal Voz da Fátima e narra o culto a Nossa Senhora de
Fátima no aniversário da primeira aparição (doc. 103, p. 376-377). Do
Brasil, chega a notícia da inauguração, em 1930, de uma imagem no Rio
de Janeiro, depois de ter seguido benzida de Portugal, e a informação
de que “o culto a Nossa Senhora do Rosário de Fátima está a propagar-
se extraordinariamente” (doc. 116, p. 418).
3.8 - Acolhidos e divulgados em Portugal e no estrangeiro, os
acontecimentos de Fátima estavam prestes a obter o reconhecimento
da autoridade eclesiástica diocesana. Em 13 abril de 1930 foi aprovado
o relatório pela comissão canónica, criada por D. José Alves Correia da
Silva oito anos antes (doc. 120, p. 430-505; doc. 121, p. 506). É um
documento longo e pormenorizado, redigido por Manuel Nunes
Formigão, que procura historiar as aparições e analisar os diferentes
aspetos a elas relativos, de modo a concluir que são credíveis. Com
base nos relatos dos videntes e das testemunhas, o relatório pronuncia-
-se pela sinceridade daqueles e pela verdade do que disseram, mesmo
em ambiente adverso, e entende que as aparições não podem confundir-
se com alucinações. A credibilidade é sustentada também pelo habitual
desinteresse dos familiares das crianças, não propícia à construção de
um relato desconforme com o ocorrido, assim como pelo alheamento
dos padres e pela reserva ponderada da autoridade eclesiástica. Muito
valor é dado às declarações de Lúcia, cujo depoimento oficial “não
pode deixar de oferecer as mais seguras garantias de credibilidade“ (doc.
Introdução