218 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
Doc. 58
1920-07-18, Parede
Carta do Dr. Eurico Lisboa para o Dr. Manuel Nunes Formigão, sobre um
folheto e sobre a estadia de Lúcia em Lisboa.
Publ.: DCF, III-2 - Doc. 550
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Meu Ex.mº e presado Amº
Temos o mesmo defeito ou a mesma qualidade: não sabemos escrever,
nem aproveitar bem o papel. Parecendo a princípio que nada temos que
dizer, os pensamentos sucedem-se e ainda fica assunto.
Estimei muito a sua cartinha e cá fico esperando o primeiro exemplar
do seu opúsculo sobre Fátima. Poderá mesmo mandar-me 10
exemplares que eu tratarei de os vender.
Escrevo-lhe ainda debaixo da agradabilíssima impressão de ter
convivido durante 24 horas com a pequena Lúcia, do que certamente já
tem notícia.
Sua Ex.ma Mana teve a gentileza de levar ao meu consultório a Lúcia,
o que foi uma surpresa, apesar de o meu bom amigo me ter anunciado
que ela viria a Lisboa. Pedi então e foi concedido que ela viesse à Parede,
tanto mais que só assim minha mulher lhe poderia falar, visto que só com
dificuldade se pode deslocar, pois está já no 8º mês da gravidez.
Na 5ª feira fui buscá-la a Lisboa às 8 horas, sendo-me entregue na
estação pelo meu chaufeur, um belo rapaz, de toda a minha confiança.
Trouxe-a no comboio e aqui esteve connosco, indo de manhã e à tarde
brincar com meus filhos, e na nossa presença, na praia, onde andaram
descalços, molhando os pés.
Às 2½ horas fomos com ela ao Sanatório, onde há uma lindíssima
capela, e aí rezou o Terço, na presença das Irmãs dominicanas, da
criadagem e doentes, ficando todos encantados com a forma como a
Lúcia rezou.
Fomos depois, acompanhados pelo Capelão, Superiora e mais Irmãs
visitar aquele belo estabelecimento indo sempre, ou quase sempre, a
Lúcia pelo braço da Superiora, uma excelente senhora que terminou
por oferecer à Lúcia uma bonita medalha de S. Domingos.
Na 6ª feira de manhã levei a Lúcia para Lisboa, onde no meu
automóvel a acompanhei a casa, falando aí com sua Ex.ma Irmã a quem