20 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
LM NOPQ Alves Correia da Silva, que em 1920 assumira o governo pastoral
da diocese, depois de esta ter sido restaurada. Inicialmente não se
pronunciou oficialmente sobre os acontecimentos. Progressivamente foi
desenvolvendo algumas iniciativas, como a visita à Cova de Iria e a
permissão para a celebração da missa, como testemunha em nota de 14
de setembro de 1921 (doc. 63, p. 229). Tomaria subsequentemente
algumas medidas disciplinares, para moderar excessos e evitar abusos,
ao proibir o uso de foguetes e de bebidas alcoólicas no local das
aparições (doc. 64, p. 230-231), para ordenar as peregrinações, num
apelo à entreajuda, à piedade e à penitência (doc. 83, p. 325), e para
regulamentar os peditórios (doc. 85, p. 329).
Mais relevante fora, porém, a nomeação, em 3 de maio de 1922, da
comissão que haveria de organizar o processo canónico para que se
pudesse pronunciar definitivamente sobre as aparições (doc. 68, p. 240-
-246). O bispo constatava o grande número de fiéis que acorriam a
Fátima, apesar da atitude expectante da autoridade eclesiástica e das
perseguições e ameaças das autoridades civis. Da primeira sessão da
comissão canónica, em 4 de maio de 1922, saiu a decisão de publicar
“um boletim mensal a que se daria o nome de Voz da Fátima e seria
destinado a registar todas as notícias e informações relativas aos
acontecimentos de Fátima” (doc. 69, p. 247). O primeiro número de
um jornal intitulado A Voz de Fátima seria dado à estampa em 13 de
junho seguinte. Publicado sem consenso quanto ao seu diretor, não foi
além do seu primeiro número. O jornal Voz da Fátima publicar-se-ia
mensalmente apenas a partir de outubro. Com a nomeação da comissão,
chegara o tempo de “estudar e mandar estudar este caso“ (doc. 68, p.
245). Começaram a reunir-se depoimentos (doc. 72 p. 255-259). O
nosso volume comporta os interrogatórios aos familiares e habitantes de
Fátima (doc. 80, p. 293-315) e a Lúcia (doc. 82, p. 317-324). Sublinhe-
se a concordância dos testemunhos e a segurança de Lúcia: “Tenho a
certeza de que a [Nossa Senhora] vi e de que não me enganei; ainda
que me matassem, ninguém me faria dizer o contrário” (doc. 82, p. 324).
A comissão tardaria ainda a pronunciar-se. O bispo, porém, da
prudência inicial foi passando a um posicionamento ativo e favorável à
evolução religiosa de Fátima. Revela-o a entrevista informal dada em
1926 ao jornal A Época, onde a comparação com Lourdes evidenciava
a importância dada ao rumo que o culto em Fátima tomara: “As
peregrinações de Fátima são mais imponentes e significativas que as de
Lourdes. Em Fátima juntam-se num só dia muitas mais pessoas do que
habitualmente se juntam em Lourdes, apesar de todo o conforto e