206 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
Doc. 51
1920-02-p.201
Recado deixado pela vidente Jacinta Marto por Maria da Purificação Godinho
e transcrito pelo Dr. Manuel Nunes Formigão.
Publ.: DCF, III-2 - Doc. 440
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crimes, que se cometem em Portugal. Por isso um terrível cataclismo de
ordem social ameaça o nosso país e principalmente a cidade de Lisboa.
Desencadear-se-á, segundo parece, uma guerra civil, de caráter
anarquista ou comunista, acompanhada de saques, morticínios, incêndios
e devastações de toda a espécie. A capital converter-se-á numa
verdadeira imagem do inferno. Na ocasião em que a divina justiça
ofendida infligir tão pavoroso castigo, todos aqueles que o puderem
fazer, fujam dessa cidade. Este castigo agora predito convém que seja
anunciado pouco a pouco e com a devida discrição.
1 O recado da Jacinta para o Dr. Formigão terá sido transmitido pela Irmã Maria da
Purificação Godinho, algum tempo depois da morte da vidente. Em carta de 19
de Fevereiro de 1920, véspera do falecimento, ao Dr. Formigão, em que a Irmã
Maria da Purificação escrevia “a Jacintazinha vai morrer”, acrescentava: “Eu
tenho uma coisa para contar a V. Revª mas não posso contar senão pessoalmente.
O que é, diz respeito ao Snr. Padre e a mim”. Noutra carta para Lúcia, a mesma
senhora escrevia-lhe: “Tenciono ir se Deus quiser aí para maio” e “Quando o sr.
Dr. Formigão aí for dá-lhe muitos cumprimentos meus”. À folha das “Despesas
de D. Maria da Purificação na ida a Fátima” foi atribuída, pelo Dr. J. M. Alonso,
a data de “1920-Mai-13”). Cerca dessa data, terá sido o encontro com o Dr.
Formigão. Por isso, este terá redigido o documento agora publicado, só depois
daquela data. O Dr. J. M. Alonso, em nota de leitura deste documento, diz que
a ortografia antiga “hace subir este escrito al año 1920”. O Dr. A. M. Martins,
atribui também este documento a 1920. A terminologia utilizada parece, porém,
apontar para uma data mais tardia.